A ocorrência do fenômeno climático El Niño, com perspectiva de persistir até o início de 2027, aumenta o risco de choques econômicos em diversos países soberanos, especialmente aqueles com classificações de crédito mais baixas e maior dependência da agricultura, avaliou a Fitch Ratings nesta segunda-feira, 15.
Segundo a agência, embora seja improvável que ações de rating sejam vinculadas diretamente ao fenômeno, os efeitos climáticos podem intensificar pressões sobre crescimento econômico, contas fiscais, inflação e liquidez externa em economias mais vulneráveis. A Fitch destaca que os países com rating na categoria B ou inferior, acesso limitado aos mercados e histórico de aumento do endividamento em períodos de crise estão entre os mais expostos.
A avaliação ocorre após a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) informar, em 11 de junho, que as condições de El Niño já se desenvolveram no Pacífico tropical. Segundo a entidade, há 63% de probabilidade de que as temperaturas da superfície do mar ultrapassem o limiar de um episódio considerado "muito forte". Além disso, projeções do Centro de Previsão Climática dos EUA apontam 96% de chance de o fenômeno permanecer ativo entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
O El Niño costuma provocar secas em algumas regiões e chuvas acima da média em outras, afetando a produção agrícola e a atividade econômica. A Fitch ressalta, contudo, que determinados países podem ser beneficiados caso o aumento das precipitações favoreça as colheitas.
A agência também alerta para possíveis impactos globais sobre os preços dos alimentos. De acordo com o relatório, a produção agrícola mundial já enfrenta incertezas devido à alta dos preços dos fertilizantes e às interrupções de oferta associadas à guerra entre Estados Unidos e Irã. Nesse contexto, um El Niño prolongado pode ampliar os riscos de alta das commodities alimentícias negociadas globalmente, com reflexos inflacionários inclusive em países de elevada qualidade de crédito.



Aviso