A primeira aeronave supersônica fabricada no Brasil foi apresentada na manhã desta quarta-feira, 25, no aeródromo da Embraer em Gavião Peixoto (SP). Esse é o primeiro de 15 caças Gripen que serão produzidos no País por meio de parceria entre a sueca Saab e a fabricante brasileira de aviões.
Na cerimônia, o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, "batizaram" o F-39E. Contudo, o petista não discursou durante o evento.
Em fala breve, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, elogiou a indústria de defesa brasileira e disse que ela é "um seguro para a soberania nacional e a vanguarda do desenvolvimento industrial".
O contrato, assinado há mais de uma década, prevê a aquisição de 36 aeronaves pela Força Aérea Brasileira (FAB). Desde 2020, foram entregues 12 unidades, incluindo a desta quarta-feira.
A linha de produção do Gripen no País, única fora da Suécia, foi inaugurada em maio de 2023 nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, voltada principalmente para produção de aviões militares.
O caça Gripen E pode atingir até 2.470 km/h (Mach 2), equivalente a duas vezes a velocidade do som. O modelo é composto por mais de 22,5 mil itens, somando 15,2 metros de comprimento e 8,6 metros de envergadura.
O processo de aquisição do avião supersônico pela FAB teve início ainda no primeiro mandato de Lula na Presidência da República e a Saab foi anunciada vencedora em 2013.
A efetivação da operação, avaliada em US$ 4 bilhões à época, ocorreu dois anos depois, durante a gestão Dilma Rousseff, após a assinatura do contrato de financiamento.
Além da Saab, participaram da concorrência a norte-americana Boeing e a francesa Dassault. A empresa sueca venceu a licitação do programa F-X2, voltado à renovação da frota de caças da FAB, ao oferecer transferência de tecnologia e capacitação industrial no Brasil.
No âmbito do projeto, a Saab treinou mais de 350 profissionais brasileiros, entre técnicos, engenheiros e pilotos.
Além da Embraer, empresas como Akaer, Atech e AEL Sistemas participam do programa. A fabricante sueca fez ainda investimentos em uma planta própria em São Bernardo do Campo (SP), onde mantém a fábrica de aeroestruturas do Gripen, inaugurada em 2018.
O presidente e CEO da Saab, Micael Johansson, classificou a apresentação do F-39E Gripen como um marco histórico, com destaque para a parceria entre os dois países. "Agora o Brasil faz parte do seleto grupo de países capaz de produzir essa aeronave, mostrando capacidade, dedicação e excelência técnica, assim como a liderança da Embraer no segmento", disse.
A unidade da Embraer em Gavião Peixoto concentra etapas centrais do programa no País, incluindo a linha de produção, testes em voo e desenvolvimento. Em dezembro de 2025, foram concluídas as fases previstas de transferência de tecnologia nessas áreas.
A linha de produção da Saab no Brasil também pode atender a outros mercados, segundo o CEO da Embraer.
"A unidade de Gavião Peixoto está plenamente preparada para fabricar Gripen e exportar para novos mercados. Vemos oportunidades na Colômbia e em outros países", afirmou o executivo durante a cerimônia de apresentação.
No fim de 2025, a empresa anunciou um acordo com o governo da Colômbia para o fornecimento de 17 caças Gripen E/F, em contrato estimado em 3,1 bilhões, com entregas previstas entre 2026 e 2032.
Diversos ministros estiveram presentes no evento de lançamento. Além de Alckmin, participaram também o ministro da Defesa, José Múcio, e o de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, assim como o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa.
*A repórter viajou a convite da Saab


