Entre os acionistas de referência das Americanas, a família Lemann e o empresário Carlos Alberto Sicupira, conhecido como Beto Sicupira, acumulam patrimônios bilionários.
Nesta quinta-feira, 25, Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, foram alvos da Operação Disclosure, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para aprofundar as investigações sobre as fraudes contábeis na varejista.
Procurada, a varejista informou que "seguirá colaborando com as investigações" e afirmou ser "a maior interessada no esclarecimento dos fatos". O Estadão busca contato com a defesa dos citados. O espaço segue aberto.
Jorge e Beto são sócios na 3G Capital. Fundada em 2004, a empresa de private equity surgiu do escritório de investimentos que eles mantinham com Marcel Herrmann Telles.
O grupo controla ou detém participações relevantes em diversos negócios, com destaque para os investimentos na Anheuser-Busch InBev (AB InBev), maior cervejaria do mundo e uma das controladoras da Ambev; na Restaurant Brands International, controladora das redes Burger King e da Tim Hortons; e na São Carlos Empreendimentos.
No ranking de bilionários da revista Forbes de 2026, a família Lemann aparece na terceira colocação entre as mais ricas do Brasil, com patrimônio estimado em US$ 19,8 bilhões. Além de Paulo, Jorge tem outros cinco filhos.
Além de ser um dos herdeiros da fortuna do pai, Paulo fundou duas gestoras de investimentos: a Pollux Capital, em 2005, e a Vectis Partners, em 2017.
Na mesma lista, Beto e sua família ocupam a oitava posição, com patrimônio estimado em US$ 6,9 bilhões, segundo a Forbes. A revista também informou que a maior parte da riqueza de Beto provém de suas ações da AB InBev, na qual detém cerca de 3% das ações.
A 3G ainda adquiriu 75% da empresa de persianas Hunter Douglas em 2021. Ela também chegou a deter 16,1% da Kraft-Heinz, mas vendeu integralmente sua participação na fabricante de condimentos em 2024.
Alvos da operação desta quinta-feira, Paulo e Beto já integraram o Conselho de Administração das Americanas, mas deixaram o cargo em 2024.
A ação cumpre mandados de busca e apreensão contra a dupla e também atinge executivos dos bancos Itaú, Bradesco e Santander, além de ex-integrantes do Conselho de Administração da varejista.
Procurado, o Bradesco disse que acompanha a operação e que está à disposição das autoridades. Já o Santander afirmou que "está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes". O Itaú não retornou à tentativa de contato. O espaço segue aberto.
Segundo a investigação, os alvos teriam conhecimento das fraudes contábeis praticadas ao longo de anos pela varejista. Ao todo, a PF cumpre nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Também foi determinado o bloqueio de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.




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