O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira, 16, que os Estados Unidos, durante uma das rodadas de negociações realizadas na tentativa de evitar a aplicação da sobretarifa sobre os produtos brasileiros, pediram que o Brasil limitasse o investimento interno em projetos e empresas de extração de minerais críticos.
"Numa das rodadas de negociação, o que nos foi solicitado foi que nós fizéssemos medidas que limitassem investimentos por atores não orientados pelo mercado e entidades estrangeiras. A exemplo do que eles fizeram com outros países", disse Rosa, durante entrevista coletiva sobre a tarifa de 25% imposta pelo governo americano a produtos brasileiros. "Obviamente, não aceitamos e não aceitaremos."
O ministro afirmou que, mesmo com a tarifa já confirmada, o governo federal não sairá da mesa de negociação e não "abandonará o multilateralismo."
"No último encontro que nós tivemos, no final da terça-feira, nós deixamos claro que o Brasil não sai da mesa de negociação. Não abandona a mesa de negociação, porque acreditamos no multilateralismo", disse.
'Defendemos acordo mutuamente benéfico a Brasil e EUA'
Na coletiva Márcio Elias disse que o Brasil admite uma negociação com os Estados Unidos desde que seja para celebrar um acordo mutuamente benéfico para os dois países.
O ministro frisou que essa postura não significa que o País vai aceitar a imposição de tarifas "indevidas, injustas e descabidas". Emendou que o Brasil agiu com boa-fé no processo de negociação com o governo americano, de modo respeitoso. "A partir de hoje [quinta-feira, 16], nós vamos esperar que eles retomem o diálogo conosco que nos convém, faremos sem nenhum problema."
'Reciprocidade é instrumento para lidar com cautela'
O ministro ressaltou que o processo de reciprocidade aos EUA é uma medida que exige cautela, com "forma e intensidade adequada". Após o novo tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros, em 25%, há risco de uma nova taxa de 12,5%. Esse segunda seria sob a acusação de que o Brasil tem adquirido bens produzidos por outros países com trabalho forçado.
Márcio Elias disse que o governo ainda não sabe se eventual tarifa de 12,5% vai se somar aos 25% já anunciados. Ele adiantou ainda que provavelmente na semana que vem o governo saberá se as tarifas serão cumulativas ou não.
Em coletiva disse que nada "acovarda" o Brasil, que tem interesses e meios para lidar com novas tarifas dos EUA. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que será levado para avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o processo de retomada da reciprocidade em relação aos EUA.
A Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional em abril de 2025, autoriza o Brasil a adotar contramedidas comerciais em resposta a ações unilaterais de países ou blocos econômicos que "prejudiquem a competitividade internacional do país".
Márcio Elias argumentou ainda que os EUA "recriminam" o Brasil pelas tratativas de acordos com Índia e México, quando o próprio governo norte-americano também faz acordos come esses países.Ele também disse que a taxação determinada ontem é "muito séria e severa" para os setores nacionais afetados. "Seria desrespeito com setores atingidos não retornarmos à mesa de negociação com os EUA", declarou.
Há deslealdade na apropriação do tarifaço para eleição
Para Márcio Elias há deslealdade contra o povo brasileiro por parte de quem usar o discurso do tarifaço como forma de conseguir se destacar na campanha eleitoral de 2026.
Segundo ele, o que motivou a imposição de tarifas contra o Brasil, "desde o princípio", foi o interesse de intervenção política nacional, o que seria um egoísmo político.
"Quando começou o tarifaço, foi pela ordem executiva querendo intervir nas decisões do Supremo Tribunal Federal para beneficiar um réu numa ação penal. Isso é um terrível desrespeito com o povo brasileiro ... As pessoas que foram buscar essas tarifas agiram exclusivamente por interesse pessoal, egoístico, político, eleitoral", pontuou.
O ministro disse ainda que os políticos que "celebram" a imposição de tarifas contra os produtos brasileiros nos EUA são "desleais" contra o povo. "Isso é um terrível desrespeito. Os que encomendaram esse tarifaço e os que celebraram aqui no país, cometeram uma grande deslealdade".




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