Um conflito prolongado no Oriente Médio pode criar novos desafios de crédito para os soberanos de mercados desenvolvidos na Europa e na Ásia, principalmente por meio de custos mais altos de energia e empréstimos, aumento da inflação e crescimento econômico mais fraco, afirma a Fitch Ratings.
Em relatório, a agência de classificação de risco aponta que medidas de apoio fiscal para amortecer o impacto sobre famílias e empresas podem pesar sobre o déficit orçamentário e as trajetórias da dívida governamental, enquanto as condições de financiamento podem se tornar menos favoráveis se o sentimento de risco se deteriorar. "Soberanos com dívidas mais altas e déficits estruturais, e aqueles enfrentando piores trocas entre inflação e crescimento, são mais vulneráveis a um choque sustentado", alerta.
O cenário-base da Fitch prevê que os preços do petróleo Brent permaneçam próximos aos níveis atuais até março, antes de cair para uma média de US$ 70 por barril em 2026.
Nas simulação da agência, os riscos de inflação são mais agudos na Itália, Reino Unido, Japão e França entre os grandes mercados desenvolvidos, dada a composição de seu suprimento de energia.
Já o impacto adverso no crescimento econômico é maior para a Coreia do Sul, Japão, Reino Unido e Itália, refletindo um impacto maior no consumo das famílias, à medida que os custos mais altos de energia e transporte corroem a renda real.
Entre os países desenvolvidos menores, o impacto no crescimento varia mais amplamente, segundo a Fitch, com os maiores efeitos em partes da Europa Central e Oriental, incluindo os Estados Bálticos e a Eslovênia, bem como Taiwan. "Na Europa Ocidental, a Noruega é o único país isolado, refletindo sua posição de exportador de energia e termos de troca mais fortes sob preços mais altos de hidrocarbonetos", acrescenta a análise.

