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Governo vê diálogo produtivo sobre Pix com EUA, mas teme tarifas sob Seção 301

Reuters
Governo vê diálogo produtivo sobre Pix com EUA, mas teme tarifas sob Seção 301
Governo vê diálogo produtivo sobre Pix com EUA, mas teme tarifas sob Seção 301

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA, 17 Abr (Reuters) - O governo brasileiro avaliou como produtiva reunião com o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre o Pix em Washington nesta semana, mas persiste a percepção de que, independentemente disso, o tema pode ser usado pela administração Donald Trump para justificar tarifas contra o país, disseram duas autoridades com conhecimento direto das discussões.

O Pix foi incluído em investigação aberta pelo USTR em julho passado sobre práticas comerciais do Brasil nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA e que também citou desmatamento ilegal, proteção insuficiente à propriedade intelectual e decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo big techs, entre outros pontos.

Autoridades brasileiras e técnicos do USTR se reuniram na quarta e quinta-feira para debatê-los, com o Pix no centro das discussões no primeiro dia, disseram as fontes em condição de anonimato.

Uma delas descreveu o diálogo como "correto e profissional", enquanto outra apontou receptividade aos esclarecimentos pedidos anteriormente sobre o sistema de pagamentos.

Ainda assim, avaliaram que os argumentos técnicos podem não evitar sanções.

"No nível político, parece haver outra estratégia para tarifas e uso da Seção 301 como base legal após a Suprema Corte barrar o tarifaço", disse uma das fontes do governo brasileiro.

Na terça-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que tarifas sobre as importações norte-americanas podem voltar aos níveis mais altos anteriores já em julho, após decisão da Suprema Corte que considerou ilegal o uso de poderes emergenciais para impô-las. Segundo Bessent, investigações sob a Seção 301 estão entre as alternativas na mesa da administração Trump.

PIX NA MIRA

A defesa do Pix na sede do USTR na quarta-feira seguiu a linha já adotada pelo governo brasileiro, que o define como plataforma digital pública, e não apenas meio de pagamento, disse uma das fontes.

Lançado no fim de 2020, o sistema é visto como instrumento de inclusão financeira, ao permitir acesso a serviços antes restritos a usuários com cartão.

Apesar de ter superado cartões em número de transações e ter reduzido o uso de dinheiro, o Pix não teria inibido outros meios eletrônicos, o que teria sido mostrado com números aos interlocutores do USTR.

O governo também destacou a participação de empresas americanas no ecossistema, como WhatsApp, PayPal, Visa e Google Pay -- este último apontado como principal iniciador de pagamentos do Pix no Brasil --, o que indicaria ausência de discriminação por origem.

No mês passado, o USTR voltou a citar o Pix em seu relatório anual sobre barreiras comerciais, o que levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a afirmar que "o Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira."

O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro apareceu pela primeira vez no relatório do USTR de 2022, já objeto das mesmas queixas: de que o Banco Central acumula os papéis de operador e regulador ao definir regras de acesso, padrões e preços, um modelo visto como prejudicial a empresas americanas, que perderam participação no vultoso mercado de pagamentos com a adoção em massa do Pix pelos brasileiros.

(Reportagem de Marcela Ayres; edição de Isabel Versiani)

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