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Ibovespa sobe com relato de acordo EUA-Irã, mas ceticismo e temores locais limitam alta

Estadão

O Ibovespa opera nesta quinta-feira, 28, com volatilidade desde o início da sessão. De um lado, está a valorização. De outro, os temores domésticos. Em Nova York, há pouco, as bolsas viraram para o positivo, após relatos de Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo preliminar para um memorando de entendimento de 60 dias que prevê a extensão do cessar-fogo e o início de negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Por volta das 11 horas, na esteira de Nova York, o Índice Bovespa voltou a subir, recuperando a marca dos 176 mil pontos. Apesar da indicação de avanço nas negociações entre EUA e o país persa, o cenário ainda é de cautela, como retrata o movimento discreto dos ativos.

Considerando os últimos sinais sobre o conflito no Oriente Médio, Bruna Centeno, economista e sócia-advisor na Blue3 Investimentos, diz que os indícios são contraditórios, sendo insuficientes para fazer preço. Segundo ela, isso dá a sensação de um choque persistente e sem solução rápida.

Neste sentido, alguns indicadores informados hoje nos EUA ficam em segundo plano, enquanto, no Brasil, chamam a atenção a taxa de desemprego ainda baixa e a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que acaba com a escala de trabalho 6x1 e estabelece uma carga horária semanal máxima de 40 horas, sem redução de salário. O texto agora segue para análise do Senado, onde empresários já ensaiam uma ofensiva para barrá-lo. A medida gera cautela e pesa em algumas ações na B3.

Segundo Centeno, da Blue3, a PEC aprovada em um ambiente de juros altos e incerteza fiscal no Brasil reforça a cautela em relação à inflação. "Os mercados podem começar a precificar mais questões domésticas, diante da possibilidade de aumento de custos de trabalho e reflexo na inflação, sobretudo na de serviços", diz.

A aprovação repercute sobre em ações de algumas varejistas na B3 - setor mais sensível ao aumento de custos com mão de obra, ainda que as expectativas em torno do tema já vinham sendo precificadas, diz Bruna Sene, analista de renda variável da Rico

Além da Pnad Continua, aqui no Brasil saíram o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de maio e dados do governo central de abril. Nos EUA, foram divulgados a segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, o índice de preços de gastos com consumo (PCE) e os pedidos de auxílio-desemprego.

A despeito de relatos de acordo EUA-Irã, ontem houve informações de que o Exército americano atingiu uma instalação militar iraniana, sob alegação de ameaça às tropas dos EUA e ao tráfego no Estreito de Ormuz, enquanto o Irã bombardeou base americana no Kuwait em retaliação.

Hoje, o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, sinalizou a manutenção de uma postura linha-dura de Teerã contra Estados Unidos e Israel.

Entre as divulgações no Brasil, a taxa de desemprego de 5,8% - no piso das expectativas -, pode colocar mais pressão sobre o Banco Central, dado que reforça resistência do mercado de trabalho. Para o Caged, que sairá às 14h30, a mediana encontrada em pesquisa do Projeções Broadcast é de criação líquida de 211.100 vagas com carteira assinada, após geração de 228.208 postos.

Nos EUA, por exemplo, o núcleo do PCE avançou 0,2% em abril ante março, ante previsão de 0,3%. Na comparação anual, teve alta de 3,3%, conforme o esperado.

Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 0,48%, aos 175.744,37 pontos.

Às 11h48, o Índice Bovespa subia 0,22%, aos 176.157,71 pontos, ante alta de 0,50%, na máxima, aos 176.627,32 pontos, e abertura em 175.744,37 pontos, com variação zero, e mínima em 174.686,40 pontos (-0,60%).

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