A Iguatemi - dona de uma rede com 17 shoppings e outlets - teve lucro líquido ajustado de R$ 239,5 milhões no primeiro trimestre de 2026, salto de 110% ante o mesmo período de 2025.
O desempenho foi turbinado por um ganho de capital de R$ 144,5 milhões com vendas de participações minoritárias em quatro shoppings (Alphaville, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Praia de Belas) no começo deste ano - movimento que faz parte da estratégia da companhia em se concentrar nos shoppings mais rentáveis.
Além disso, a Iguatemi reportou crescimento nas suas principais linhas de receitas - locação de lojas, estacionamento, taxa de administração e varejo - compensando o aumento nas despesas com juros da dívida. "Foi um trimestre muito bom. Tivemos crescimento das vendas dos lojistas, aumento de aluguel acima da inflação e ganho de capital com venda de ativos", destacou o vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores, Guido Oliveira.
O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 405,2 milhões, crescimento de 65,9% na mesma base de comparação anual. A margem Ebitda foi a 109,9%, aumento de 35,8 pontos porcentuais (p.p).
O FFO (lucro líquido excluindo depreciação, amortização e efeitos não caixa) chegou a R$ 274,7 milhões, expansão de 98,4%, enquanto a margem FFO atingiu 74,5%, melhora de 32,5 p.p. Os dados no critério ajustado excluem o efeito da linearização (ajuste contábil na apuração das receitas de locação).
A receita líquida totalizou R$ 361 milhões, alta de 14,5%. Já a receita total com locação de espaços nos shoppings cresceu 6,3%, para R$ 265,8 milhões, acima da inflação, ajudada pelos reajustes nos contratos de aluguel, valores mais altos nos novos contratos, e aumento da base de lojistas.
A receita de estacionamentos aumentou 5,5%, chegando a R$ 63,4 milhões. A receita com taxa de administração teve aumento de 19,2%, para R$ 22,9 milhões.
Um dos destaques do balanço foi a receita com varejo (que inclui o marketplace Iguatemi 365 e lojas próprias) de R$ 56,7 milhões, crescimento de 59% devido ao maior número de marcas operadas pela companhia nos últimos meses, como Polo Ralph Loren e Birskenstok, dentre outras.
Os custos operacionais atingiram R$ 70,6 milhões, enquanto as despesas gerais e administrativas foram de R$ 36,9 milhões, alta de 2,8%. O resultado financeiro (soma de receitas e despesas com juros) gerou uma despesa líquida de R$ 100,7 milhões, montante 27% maior do que um ano antes, refletindo o peso dos juros altos da economia.
A Iguatemi encerrou o primeiro trimestre com dívida líquida de R$ 1,9 bilhão, recuo de 13,9% ante o quarto trimestre do ano passado. No período, a alavancagem (dívida líquida em relação ao patrimônio líquido) baixou para 1,29 vez, de 1,68 vez.
Operacional
As vendas dos shoppings da Iguatemi somaram R$ 5,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 12,8% em relação ao mesmo período de 2025. As vendas nas mesmas lojas (abertas há mais de um ano) avançaram 5,2%, e os aluguéis nas mesmas lojas subiram 6%.
A companhia também divulgou que as vendas por metro quadrado cresceram 7,7%, chegando a R$ 8,2 mil; e os aluguéis por metro quadrado subiram 8,8%, para R$ 667.
Nos últimos anos, a Iguatemi adquiriu os shoppings RioSul, Pátio Paulista e Higienópolis - empreendimentos cujos níveis de vendas estão entre os mais altos do País. Em compensação, se desfez de participações em shoppings menos relevantes. Isso gerou um aumento na produtividade das vendas.
"Vendemos os ativos menos resilientes para focar nos 'trophy assets' (ativos troféus). Dos 15 principais shoppings do Brasil, 6 são da Iguatemi", reforçou Oliveira.
A taxa de ocupação dos shoppings da companhia aumentou para 97,3% no começo deste ano, ante 96,6% um ano antes. A inadimplência líquida dos lojistas recuou para 0,7% no começo deste ano, ante 1,4% um ano antes.



