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Leitura da ata do Copom sugere espaço a novos cortes da Selic e taxas de juros caem

Estadão

Os juros futuros fecharam a terça-feira, 23, em queda, principalmente até o trecho intermediário, enquanto as longas cederam em menor magnitude, o que manteve a curva mais inclinada. O documento dividiu opiniões no mercado, mas, nos preços dos ativos, parece ter prevalecido a ideia de que o Banco Central (BC) vê espaço para novas reduções da Selic, ainda que não necessariamente em cortes sequenciais.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caía de 14,217% no ajuste de segunda-feira, 23, para 14,185%, e a do DI para janeiro de 2028 estava em 14,530%, de 14,699%. O DI para janeiro de 2029 projetava taxa de 14,630% (de 14,773%). A taxa do DI para janeiro de 2031 caía de 14,714% para 14,580%.

O sinal de baixa foi preponderante ao longo da sessão, mas, no começo do dia, as taxas chegaram a subir enquanto o mercado tentava entender a mensagem do documento, que foi considerado até mais duro do que o comunicado, em especial por explicitar que o balanço de riscos para a inflação tem assimetria altista. Numa segunda leitura, a curva passou a devolver prêmios, sob a interpretação de que o BC mantém sobre a mesa a possibilidade de voltar a reduzir a Selic.

Ao explicar a reação da curva, a economista-chefe da B.Side Investimentos, Helena Veronese, diz que a ata conseguiu esclarecer pontos que haviam ficado confusos no comunicado, e isso trouxe certo alívio ao mercado, concorde-se ou não com os argumentos. "O mercado entendeu o recado que o Copom tentou passar no comunicado e não tinha sido bem sucedido. A ata foi clara no sentido de que dá para cortar, parar, cortar, parar, num ajuste mais gradual", disse. "Claro que isso tudo depende dos dados. Evidentemente, se os dados não permitirem, eles não cortam mais", complementou.

O Comitê reafirmou serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio.

Já para o economista da MAG Investimentos Rafael Rondinelli, a ata deixou espaço para interpretações divergentes. "A ata revela um Copom que ainda se apoia na tese do choque temporário de oferta, mas pavimenta retoricamente o caminho para uma interrupção. A barra para um novo corte em agosto se elevou", afirma.

Nas opções digitais da B3, nesta tarde, a aposta de queda de 25 pontos-base da Selic em agosto era majoritária, com 63% de chance, enquanto a probabilidade de manutenção estava em 35%. Na pesquisa realizada pelo Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), as expectativas estão divididas. Entre 33 casas consultadas, 16 esperam estabilidade; 16, queda; e uma prevê alta de 25 pontos-base.

A percepção de que o ciclo de calibragem pode ter novos capítulos afetou principalmente os vencimentos de curto e médio prazos, mas, ainda que em menor magnitude, o trecho longo também teve alívio em dia de nova queda nos preços do petróleo e de fechamento da curva de juros nos Estados Unidos.

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