Por Igor Sodre
SÃO PAULO, 12 Mar (Reuters) - O Magazine Luiza teve lucro líquido ajustado de R$125 milhões no quarto trimestre de 2025, uma queda de 10,5% em relação ao registrado um ano antes, em um resultado influenciado pelos juros elevados, afirmou a empresa nesta quinta-feira.
"Conseguimos, com toda nossa diversificação de negócios, mitigar o efeito da taxa de juros, mas tivemos um aumento significativo no ano passado. Foi amortecido, mas não somos totalmente imunes", disse a diretora de Relações com Investidores, Vanessa Rossini, em entrevista à Reuters. Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano.
A varejista apurou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$867 milhões, 2,5% acima do observado no quarto trimestre de 2024.
Analistas, em média, esperavam R$793 milhões de resultado operacional medido pelo Ebitda para a empresa, segundo dados da LSEG.
A receita líquida nos últimos três meses do ano somou R$11,2 bilhões, valor 3,4% acima do faturamento registrado no mesmo período do ano anterior.
Já as vendas totais, incluindo lojas físicas, e-commerce com estoque próprio e marketplace tiveram uma queda de 1,1% na comparação anual, totalizando R$18,2 bilhões.
"A dinâmica de vendas está amarrada ao nosso foco na rentabilidade e geração de caixa", disse Rossini.
Nesse contexto, destacaram-se os recuos de 5,3% nas vendas de comércio eletrônico e 11,7% no marketplace, enquanto nas lojas físicas da rede houve crescimento de 8,7% nas vendas.
O aumento nas vendas da modalidade física é atribuído à menor competitividade no segmento. "Temos um cenário muito mais competitivo no e-commerce. O mercado de loja física não cresce 9% como ele (e-commerce)", disse a diretora de Relações com Investidores.
Apesar da queda no e-commerce, parcerias como a com a plataforma de marketplace chinesa AliExpress ainda são bem avaliadas pela companhia. "Parceria com o AliExpress tem sido um sucesso. Traz tráfego e vendas. Rentabilidade e reciprocidade são pilares para parcerias", disse Rossini.
NOVO CICLO ESTRATÉGICO
Ao longo do ano, a empresa guiará suas decisões tendo como norte os pilares de seu novo ciclo estratégico, que incluem o foco em inteligência artificial, além da aceleração das vendas por meio de plataformas parceiras, a potencialização do ecossistema com ampliação de multicanalidade e o fortalecimento da alavanca de serviços financeiros, disse a executiva.
"As metas do ano estão amarradas nos pilares do ciclo estratégico. Mantemos focos em rentabilidade e geração de caixa no curto prazo", afirmou a diretora.
Nesse contexto, para 2026, a companhia segue otimista, tendo em vista o aumento de renda dos consumidores como efeito da isenção do imposto de renda para famílias com renda de até R$5 mil, além da previsão do início do ciclo de queda de juros, e a Copa do Mundo, evento que a companhia disse ver como "historicamente favorável" para vendas de bens duráveis e itens esportivos.
“Expectativa de queda de juros é muito favorável, mas se não cair temos um modelo de negócio resiliente que suporta cenário”, disse Rossini.
(Por Igor Sodré)

