22 Jul (Reuters) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, disse nesta quarta-feira que reciprocidade não é vingança e que ela será adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a vários produtos brasileiros quando considerar que é adequado.
Em entrevista à Bandeirantes FM, o ministro disse ainda que reciprocidade é diferente de retaliação, e que uma eventual resposta brasileira deve "ferir o adversário, não apenas irritá-lo" para não inviabilizar o processo de negociação.
"O instrumento da reciprocidade está à nossa disposição", disse Rosa.
"Precisamos primeiro dimensionar qual a medida que poderia eventualmente corresponder a uma reciprocidade. Segundo, se ela não pode produzir um efeito negativo reflexo, ou seja, o prejuízo ser maior aqui do que lá. Se você for adotar a reciprocidade, você precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo, porque senão você perde o controle, o domínio da negociação. O Brasil tem esse instrumento, vai usar esse instrumento, mas quando for adequado, quando for necessário."
A nova tarifa comercial entra em vigor nesta quarta-feira, atingindo bilhões de dólares em exportações do Brasil e aumentando as tensões entre os dois países.
Na entrevista, o ministro afirmou ainda que é difícil negociar "quando o outro lado não se conecta com a realidade". Rosa avaliou ainda que o motivo para o tarifaço sobre o Brasil, com quem os EUA têm superávit comercial, é a posição ideológica mais à direita do governo do presidente norte-americano, Donald Trump, e a busca por Washington de restabelecer sua zona de influência nas Américas por meio de governos alinhados ideologicamente.
"Se as questões fossem meramente comerciais ou econômicas, eu não tenho dúvida que nós teríamos chegado a um consenso, a um acordo. Mas infelizmente elas não são. Do lado brasileiro, sempre foram, do lado norte-americano sempre foram ideológicas ou políticas", avaliou.
"Essa tarifa que acabou sendo anunciada e que hoje de fato começa a vigorar, tem muito mais um caráter de sanção -- como se o Brasil tivesse feito algo de errado, coisa que não fez -- do que propriamente de regulação do mercado", disse.
Rosa afirmou, ao mesmo tempo, que, apesar do que chamou de "desaforo" feito pelos EUA, o Brasil seguirá na mesa de negociação em busca de reverter a imposição de tarifas.
(Reportagem de Eduardo Simões; Edição de Letícia Fucuchima e Camila Moreira)



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