Por Valentina Za
ROMA, 7 Jul (Reuters) - As perspectivas para a economia da zona do euro continuam frágeis, afirmou nesta terça-feira o membro do Conselho do BCE e presidente do Banco da Itália, Fabio Panetta, defendendo que as decisões de política monetária sejam avaliadas à luz de diversos cenários, tendo em vista as profundas mudanças na economia global.
“O mundo entrou no que podemos chamar de ‘Grande Reconfiguração’”, afirmou Panetta em uma conferência de pesquisa em Roma sobre os desafios para a transmissão da política monetária.
Em junho, o BCE tornou-se o primeiro grande banco central do mundo a aumentar as taxas de juros em resposta ao choque nos preços da energia causado pela guerra no Irã.
Os formuladores de política monetária estão agora debatendo se é necessária uma medida adicional para conter as pressões inflacionárias.
Ao definir a política monetária, o BCE deve encontrar um equilíbrio entre dois extremos, disse Panetta.
“Ele não deve nem descartar o choque como temporário, nem responder como se a economia estivesse na mesma situação de quatro anos atrás”, disse ele, referindo-se à crise energética de 2022.
“Esta não é uma repetição de 2022. A demanda está mais fraca. As taxas de juros reais estão mais altas”, disse Panetta, acrescentando que a zona do euro reduziu sua vulnerabilidade a choques energéticos.
Ele disse que as negociações em andamento entre os Estados Unidos e o Irã poderiam resultar em preços de energia mais baixos do que os previstos nas projeções de junho do BCE.
“Mas as perspectivas continuam frágeis. Os riscos de alta para a inflação continuam coexistindo com os riscos de queda para o crescimento”, alertou Panetta.
“Isso exige um monitoramento constante dos desdobramentos geopolíticos, dos mercados de energia, das cadeias de abastecimento, dos salários e das expectativas de inflação. Também exige que a política monetária evite se comprometer com uma trajetória predeterminada”, acrescentou.
Panetta disse que a decisão do BCE sobre a taxa de juros de junho “foi considerada robusta em uma variedade de cenários. Isso reflete um princípio fundamental da formulação de políticas em condições de incerteza”.
Ele disse que o mais recente choque energético ocorreu em um contexto de transformação global impulsionada pela fragmentação geopolítica, inteligência artificial, finanças digitais, envelhecimento da população e mudanças climáticas.
“Nesse ambiente, a robustez se torna ainda mais importante”, disse ele.
(Reportagem de Valentina Za)



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