Por Michael S. Derby
6 Ago (Reuters) - O presidente do Federal Reserve de St. Louis, Alberto Musalem, afirmou nesta quinta-feira que é fundamental que a política monetária continue atuando para reduzir as pressões inflacionárias em meio aos riscos contínuos ao mandato do banco central de conter a inflação, e que ela não deve ser orientada a fortalecer altos níveis de produtividade na esperança de uma inflação mais baixa no futuro.
“A inflação está bem acima da meta de 2% do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), e o equilíbrio dos riscos aponta para que a inflação permaneça acima da meta daqui a um ano ou mais”, disse Musalem no texto de um discurso preparado para ser proferido em São Paulo, no Brasil.
“É crucial que a política monetária imponha uma restrição significativa à inflação subjacente, em vez de tolerar uma inflação um pouco mais alta hoje para buscar o crescimento da produtividade amanhã”, disse ele.
Musalem dedicou a maior parte de suas observações a examinar um possível dilema segundo o qual o Fed manteria a política monetária mais acomodatícia do que manteria em outras circunstâncias para ajudar a permitir ganhos maiores de produtividade, na expectativa de que, no longo prazo, isso leve a pressões inflacionárias menores.
Ele afirmou que tal medida seria um erro.
“O problema é que esse raciocínio parte do pressuposto de que a credibilidade do banco central está garantida”, disse a autoridade, acrescentando: “Essa barganha só funciona porque famílias, empresas e investidores continuam esperando que a inflação retorne à meta.”
No entanto, "um banco central visto como tolerante a uma inflação acima da meta, com a promessa de um ganho extraordinário de produtividade no futuro, pode colocar essa âncora em risco”, disse Musalem.
Ele também disse que a economia tem se mostrado “resiliente” nos últimos meses, ao mesmo tempo em que observou que “o mercado de trabalho se estabilizou, com forte criação de empregos e uma taxa de desemprego próxima de seu nível de longo prazo”.
As declarações de Musalem foram as primeiras desde a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) da semana passada, na qual as autoridades mantiveram os juros na faixa de 3,5% a 3,75%, em meio às expectativas persistentes nos mercados de que o Fed terá que elevar as taxas em algum momento para reduzir os altos níveis de inflação.
(Reportagem de Michael S. Derby, em Nova York; )



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