Magazine Luiza fechou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões, quase o triplo dos R$ 24,4 milhões registrados no mesmo período de 2025. O resultado ajustado seguiu a mesma direção: de um lucro de R$ 1,8 milhão um ano antes, a companhia passou a um prejuízo de R$ 50,4 milhões entre abril e junho. A receita líquida somou R$ 8,9 bilhões, queda de 2,6%, enquanto as vendas totais — somando lojas físicas, e-commerce e marketplace — recuaram 5,1%, para R$ 14,5 bilhões.
O desempenho, no entanto, não foi homogêneo. As lojas físicas cresceram 10,3%, mas o comércio eletrônico encolheu 11,9%. Segundo o Magalu, a retração online é consequência direta de uma escolha estratégica: diante da alta dos custos internacionais de componentes eletrônicos — sobretudo chips de memória, que pressionaram os preços de computadores, celulares e equipamentos de informática —, a empresa repassou parte do aumento ao consumidor e priorizou a rentabilidade em vez do volume.
No polo oposto do setor, a Havan de Luciano Hang mantém o pé no acelerador, sustentada por uma posição financeira considerada sólida. A varejista catarinense encerrou 2025 com receita líquida de R$ 13,7 bilhões, avanço de 17,1%, e Ebitda de R$ 3 bilhões, alta de 7,9%. A margem Ebitda cedeu de forma moderada, para 21,9%, pressionada por despesas comerciais e mudanças no mix de vendas. Análise do Banco Safra aponta que a companhia terminou o ano com R$ 1,1 bilhão em caixa contra R$ 546 milhões de dívida bruta — caixa líquido de cerca de R$ 580 milhões e alavancagem baixa.
Essa folga sustenta o plano de expansão para 2026: até R$ 1,2 bilhão em investimentos para inaugurar 15 novas megalojas e fechar o ano com aproximadamente 200 unidades no país. Para o Safra, a Havan consegue bancar o ciclo com a própria geração de caixa, sem precisar elevar o endividamento de forma relevante. O faturamento de 2025 chegou a R$ 18,5 bilhões, crescimento de 16,1%, e, segundo o fundador, boa parte do avanço veio das lojas já existentes — foram cerca de 190 milhões de visitas no ano, com tíquete médio 8,3% maior, a R$ 275.



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