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Setor industrial da China tem crescimento mais rápido em um ano, enquanto riscos da guerra aumentam

Setor industrial da China tem crescimento mais rápido em um ano, enquanto riscos da guerra aumentam
Setor industrial da China tem crescimento mais rápido em um ano, enquanto riscos da guerra aumentam

Por Yukun Zhang e Ryan Woo

PEQUIM, 31 Mar (Reuters) - A atividade industrial da China cresceu em março no ritmo mais rápido em um ano, sustentada pela melhora da demanda, mostrou uma pesquisa oficial nesta terça-feira, um alívio bem-vindo para uma economia que luta contra as tensões da cadeia de suprimentos global e a volatilidade do mercado de energia.

A leitura mais forte alivia a pressão sobre os formuladores de políticas, embora a durabilidade desse crescimento esteja em dúvida, uma vez que o aumento dos preços da energia, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, e o aumento dos riscos de crescimento representam novos ventos contrários para os fabricantes que dependem das exportações e operam com margens reduzidas.

"As perspectivas para o segundo trimestre não são claras neste momento, dado o impacto negativo dos altos preços da energia", disse Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management.

"O mercado está cada vez mais preocupado com o risco de desaceleração do crescimento global e com a interrupção da cadeia de suprimentos."

O índice oficial de gerentes de compras (PMI) do setor industrial subiu para 50,4 em março, ante 49,0 em fevereiro, acima do limite de 50 e atingindo o ponto mais alto em 12 meses, segundo dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas. O resultado superou a previsão dos analistas de uma leitura de 50,1 em uma pesquisa da Reuters.

O PMI do setor industrial esteve em contração durante a maior parte de 2025 e nos dois primeiros meses de 2026.

As exportações de mercadorias da China continuaram a impulsionar o crescimento em janeiro e fevereiro, após o superávit comercial recorde de US$1,2 trilhão do ano passado, impulsionado pela firme demanda global por produtos eletrônicos, principalmente semicondutores. O Ministério do Comércio da China disse na semana passada que o ímpeto parecia destinado a se manter, mesmo com a persistência das tensões geopolíticas.

No entanto, a guerra no Oriente Médio está gerando preocupações para os formuladores de políticas.

A pressão já era evidente na última pesquisa. O subíndice para os preços de compra das principais matérias-primas saltou de 54,8 em fevereiro para 63,9 em março, impulsionado pelo aumento dos preços das commodities a granel e pela aquisição mais rápida pelas empresas, informou o Escritório.

Os preços de produtos também aumentaram, embora em um ritmo mais modesto, sugerindo um poder limitado de fixação de preços.

O PMI não industrial, que inclui serviços e construção, também aumentou para 50,1, de 49,5 em fevereiro, segundo a pesquisa do Escritório Nacional de Estatísticas.

A pesquisa PMI desta terça-feira sugere que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China no primeiro trimestre provavelmente excederá 4,5%, o piso da meta de 4,5% a 5,0% de Pequim para este ano, disseram os analistas do ANZ.

O ANZ não espera mais cortes nos juros em 2026 ou 2027, uma vez que o crescimento ficou dentro da meta oficial, dizendo que, em vez disso, os formuladores de políticas provavelmente priorizariam medidas estruturais para amortecer o impacto do choque do petróleo.

Os líderes da China prometeram repetidamente mudar o motor do crescimento para o consumo interno a fim de reduzir a dependência da demanda externa. No entanto, as reformas de reequilíbrio levarão tempo e, à medida que as consequências da guerra se aprofundam, é provável que as empresas sintam a dor com mais intensidade no curto prazo.

"Quando a situação global é incerta, a dependência da cadeia industrial da China aumenta, semelhante à situação no início da pandemia", disse Dan Wang, diretor para a China do Eurasia Group.

"No entanto, as exportações e o PMI podem enfrentar riscos no segundo semestre do ano, já que a questão iraniana pode levar a uma recessão nas principais economias, especialmente na UE, que é o destino comercial mais importante da China."

(Reportagem de Yukun Zhang e Ryan Woo)

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