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Taxas de juros futuras fecham sessão em alta, com ceticismo sobre fim da guerra

Estadão

Os juros futuros deixaram para trás a dinâmica benigna observada até o início da tarde e fecharam a sessão desta quinta-feira, 7, em firme alta. O determinante de ambos os movimentos, mais uma vez, foi o fluxo de notícias sobre a guerra, que piorou rumo ao final do pregão. O otimismo observado até perto de 13h, quando ainda havia expectativa de que um acordo entre EUA e Irã fosse alcançado em breve, deu lugar à aversão ao risco com relatos de que Teerã impôs condições para reabrir o Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo em que Washington estuda retomar o "Projeto Liberdade", que escolta embarcações comerciais na rota.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 14,045% no ajuste de quarta a 14,115%. O DI para janeiro de 2029 fechou negociado a 13,635%, vindo de 13,499% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2031 aumentou de 13,584% no ajuste a 13,725%.

As taxas passaram a abrir cerca de 5 pontos-base na ponta curta e ao redor de 10 pontos nos trechos intermediários em diante, por volta das 14h30, em sintonia com a virada de humor nos mercados globais. O estopim para a deterioração foi a guerra. Até cerca de 13h, ainda havia esperança de que um acordo entre os dois lados seria atingido, ainda refletindo declarações de quarta do presidente dos EUA, Donald Trump, de que a ofensiva vai acabar rapidamente e os países caminham para uma tratativa.

A aversão ao risco voltou ao cenário, no entanto, com relatos sobre negativas do Irã a respeito de condições para a reabertura do Estreito de Ormuz e de que Washington avalia retomar a escolta de embarcações comerciais na rota - o "Projeto Liberdade". Isso porque, a partir de agora, os militares americanos passaram a ter permissão para usar as bases e o espaço aéreo da Arábia Saudita e do Kuwait.

Segundo Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, além da liberação do uso de bases pelos EUA pelos dois países do Golfo e relatos de que o Irã não vai desbloquear o fluxo de navegação em Ormuz enquanto os americanos não realizarem reparações de danos na rota, um terceiro fator fez com que os ânimos dos investidores esfriassem: um relatório da CIA obtido pelo Washington Post aponta que o país persa pode sobreviver ao bloqueio naval americano por cerca de três a quatro meses sem enfrentar dificuldades econômicas severas.

A análise ainda indicou que Teerã mantém capacidades elevadas de mísseis balísticos, com cerca de 75% de seus inventários de lançadores móveis de antes da guerra e cerca de 70% de seus estoques de mísseis anteriores ao conflito, de acordo com um oficial dos EUA.

"É um 'morde e assopra' diário", diz Praça. "Aparentemente, o confronto está bem mais longe de terminar do que se esperava no início do pregão, e por isso houve estresse na curva ao longo do dia", afirmou. Ele também destaca que tanto Washington quanto Teerã parecem irredutíveis sobre a questão das armas nucleares - Trump quer que o Irã pare de enriquecer urânio, enquanto o país não quer abrir mão de seu programa nuclear. "Este é um ponto de fricção que aparentemente não será resolvido tão rápido", aponta o diretor.

Do lado da oferta, o Tesouro Nacional colocou em leilão 13 milhões de títulos prefixados pela manhã, adicionando alguma pressão à ponta longa da curva. Nos cálculos de Luis Felipe Vital, estrategista de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, o risco adicionado ao mercado (DV01) foi 366% maior do que o certame da semana passada. Isso não significa, no entanto, que o Tesouro tenha colocado o pé no acelerador novamente, pondera Vital, uma vez que a oferta anterior foi diminuta.

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