Os juros futuros reduziram o ritmo de queda e fecharam em leve baixa nesta quarta-feira, dada a maior instabilidade nos mercados internacionais e a expectativa pelo comunicado do Copom logo mais, consolidado o consenso das apostas de corte da Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14%.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 encerrou em 13,770%, de 13,786% no ajuste do dia anterior, e a do DI para janeiro de 2028 cedeu a 13,810%, de 13,835%. A do DI para janeiro de 2029 caiu de 14,034% para 14,015%. O DI para janeiro de 2031 projetava juro de 14,185%, de 14,239% no ajuste de terça-feira.
O alívio nos prêmios de risco foi maior na primeira etapa, quando era mais firme a expectativa de avanço nas negociações de paz com o Irã e de reabertura do Estreito de Ormuz, trazendo queda aos preços do petróleo. À tarde, relatos de ataques a navios na região levaram o Brent a zerar as perdas. Além disso, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que o país ainda não decidiu se avançará para o segundo estágio de negociações.
De todo modo, o barril permaneceu abaixo dos US$ 80, o que alivia a pressão sobre o cenário inflacionário e sobre o aperto monetário do Federal Reserve nos EUA, o que pode ajudar o Copom no processo de calibração da Selic.
Para Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra, o alívio no petróleo melhora as condições para a flexibilização monetária pelo Copom, "mas a velocidade dos cortes, porém, seguirá limitada pela capacidade de a inflação convergir para a meta sem deterioração do câmbio ou das expectativas".
A analista Laís Costa, da Empiricus, diz que o exterior ditou a dinâmica da curva pela manhã, mas à tarde o mercado ficou mais parado. Além das questões geopolíticas, um dado do mercado de trabalho americano abaixo do esperado trouxe alívio aos juros dos Treasuries, e as taxas locais acompanharam.
A pesquisa ADP mostrou que o setor privado dos Estados Unidos criou 44 mil empregos em julho, ante previsão de geração de 75 mil postos. O levantamento antecede o "payroll", que reúne dados dos setores privado e público e será divulgado na sexta-feira.
"O número mais fraco do ADP sugere redução do ritmo de criação de vagas. Os dados de atividade nos EUA começam a ter mais peso para o mercado, dado que o Fed tem falado cada vez menos", avalia Costa.
"Depois desse calendário pela manhã, o mercado de juros ficou sem driver, mais adequado a um comportamento pré-Copom", comenta. Na visão da economista, o mercado vai buscar entender se o colegiado deixará a porta aberta para uma continuação dos cortes da Selic no atual contexto de "evidente desaceleração do ritmo de atividade e dados de inflação abaixo do esperado".
As questões internas ficaram em segundo plano para o mercado de juros, embora alguns players tenham mencionado certa frustração com o anúncio do nome do vice na chapa do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, o que teria contribuído para a perda de fôlego nos DIs. "Chapa muito puro sangue, deu uma decepcionada", avalia um profissional. Flávio dizia querer uma mulher para compor sua chapa, mas, em meio a dificuldades em fechar alianças para a disputa presidencial, acabou anunciando como candidato a vice o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL).



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