O receio de um recrudescimento da guerra a patamares imprevisíveis e consequente choque ainda maior nos preços de energia, após notícia de que o governo Trump prepara o envio de tropas terrestres ao Irã, impulsionou ainda mais a alta dos juros futuros na tarde desta sexta-feira, 20, em um dia já bastante negativo na renda fixa.
Taxas curtas e intermediárias renovaram máximas intradia, abrindo mais de 50 pontos-base ante os ajustes em alguns vértices na segunda etapa do pregão, após circular a informação, apurada pela CBS News , de que autoridades do Pentágono fazem preparativos detalhados para que forças terrestres invadam o país persa.
A notícia azedou ainda mais o humor dos mercados, que já vinham operando em modo defensivo diante da postura mais cautelosa de bancos centrais ao redor do mundo sobre os impactos do conflito e, também, de novos ataques realizados por ambos os lados. Enquanto, nos Estados Unidos, crescem as apostas de que o Federal Reserve precise subir os juros em outubro, por aqui, o mercado de opções digitais passou a mostrar chance maior, embora não majoritária, de manutenção da Selic na reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom).
Encerrados os negócios, a taxa do DI para janeiro de 2027 aumentou de 14,014% no ajuste a 14,42%. O DI para janeiro de 2028 fechou em máxima intradia de 14,175%, vindo de 13,581%. O DI para janeiro de 2031 avançou de 13,765% a 14,145%.
No começo da tarde, a Reuters informou que forças militares dos EUA estão enviando milhares de fuzileiros navais e marinheiros adicionais para o Oriente Médio, mas que nenhuma decisão tinha sido tomada sobre enviar tropas ao território iraniano. Já por volta das 15h30, a CBS News noticiou que o presidente dos EUA, Donald Trump, está deliberando sobre essa opção. Em seguida, um porta-voz da Casa Branca disse ao veículo que as forças armadas norte-americanas "podem tomar" a Ilha de Kharg, no Irã, "a qualquer momento", e afirmou que Trump "mantém todas as opções em aberto".
"Isso dá contextos ainda mais imprevisíveis à guerra, que toma outras proporções. O mercado fica receoso de que ela possa escalar muito mais", afirmou Gean Lima, gestor de portfólio da Connex Capital. "Se houver um conflito armado terrestre mais pronunciado, e se mais países entrarem no conflito, teria bastante potencial para impactar os preços do petróleo, assim como o câmbio e as bolsas", alertou.
Caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado por um período de seis meses, a Fitch Ratings estima que as cotações da commodity energética podem subir ainda mais, se mantendo em níveis médios de até US$ 120 por barril. Em uma hipótese de três meses de interrupção, o preço médio ficaria em cerca de US$ 100 por barril. Nesta sexta, o contrato futuro de Brent para maio avançou 3,2%, a US$ 112,19 o barril.
Na semana em que o Banco Central entregou um corte de mínimo de 0,25 ponto na Selic e, na visão de grande parte dos analistas, adotou um tom 'dovish' e até otimista em alguns pontos, o mercado de opções digitais de Copom mostrava nesta tarde 32% de chance de que a Selic fique inalterada em abril, observa Lima. Já a precificação de cortes embutida na curva futura para a próxima reunião do colegiado caiu de 16 pontos-base para 10,5 pontos-base.
"Por mais que o BC tenha optado por um corte de 0,25 ponto agora, fica uma incerteza sobre quais podem ser os próximos passos. E a projeção de 3,30% do BC para a inflação o horizonte relevante é otimista, não sei se vai conseguir segurar isso muito tempo se não houver uma melhora substancial em relação ao conflito", avalia o gestor.
No cômputo semanal, as taxas curtas e médias subiram ainda mais em relação à última sexta-feira, dia de forte estresse nos mercados em que uma zeragem de posições aplicadas acentuou a alta dos DIs. Em relação ao fechamento do dia 13, o DI para janeiro de 2027 aumentou 10 pontos-base. O DI para janeiro de 2029 abriu ao redor de 18 pontos-base.

