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Taxas recuam com queda do dólar e das expectativas para IPCA de 2026

Estadão

Em um pregão morno, os juros futuros negociados na B3 tiveram fechamento das taxas médias e longas nesta segunda-feira, 6, ao passo que a ponta curta operou em relativa estabilidade e fechou em viés de baixa.

Segundo agentes, em uma sessão com liquidez reduzida e agenda econômica fraca tanto aqui quanto lá fora, o movimento contou com o suporte da discreta melhora das expectativas inflacionárias para 2026, que dão conforto para o Banco Central calibrar a Selic, ao menos no curto prazo. O pano de fundo de bom comportamento da curva de Treasuries e a queda firme do dólar, que caiu 0,71%, também ajudaram.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,998% no ajuste anterior a 13,985%. O DI para janeiro de 2029 diminuiu para mínima intradia de 14,03%, de 14,26% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2031 recuou de 14,406% no ajuste antecedente a 14,29%.

O boletim Focus trouxe tímida revisão para baixo da mediana para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano, de 5,33% a 5,30%. A previsão para 2027 oscilou de 4,17% a 4,18%, e a de 2028 permaneceu em 3,70%. Já as estimativas para a taxa Selic terminal ficaram inalteradas, em 14% para 2026, 12% para 2027, 10,5% para 2028 e 10% para 2029.

Gestor de portfólio da Heritage Capital, Eduardo Cohn aponta que o Focus vinha em deterioração semana após semana, tendência que foi estancada nesta segunda. "Nesta semana o movimento deu uma estabilizada, e até recuo na margem, e a queda expressiva do dólar acabou ajudando a curva de juros também. Não vejo nada além desses fatores", disse Cohn.

"A combinação de indicadores mais fracos de atividade, inflação mais comportada e queda do petróleo mantém elevada a probabilidade de um novo corte da Selic em agosto. Apesar disso, parte do mercado segue cautelosa diante das expectativas de inflação ainda acima da meta e dos riscos fiscais, o que sustenta divergências quanto à intensidade do ciclo de flexibilização monetária", comentou Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.

Segundo Cohn, o volume de negócios desta segunda foi afetado pela "ressaca" após o Feriado do Dia da Independência nos Estados Unidos, que seria no último sábado, mas foi antecipado para a sexta-feira anterior neste ano. "Hoje foi um dia mais morto", avaliou.

Principal fator que puxou a curva de juros para baixo na última sexta, as declarações do secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, sobre o mercado de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B) não surtiram efeito sobre as taxas futuras na sessão atual, na visão do profissional.

Em entrevista à Folha de S.Paulo na sexta passada, Ceron afirmou que o Tesouro está pronto para atuar no mercado se necessário com novos leilões de recompra de NTN-B, a exemplo do ocorrido em março. Profissionais de renda fixa questionam se esta seria a abordagem mais correta no momento, mas o fato é que as falas do secretário-executivo do Ministério da Fazenda geraram perspectiva de nova intervenção do órgão.

Para o leilão desta terça-feira, agentes esperam que a autoridade fiscal oferte novamente lotes mínimos de títulos atrelados à inflação, estratégia chamada de "cancelamento branco", para não pressionar o mercado. "Acho que o Tesouro ainda não está no momento de intervir. Primeiro ele tenta acalmar para não ter que intervir", aponta o gestor da Heritage Capital, para quem novas intervenções podem ocorrer quando o quadro eleitoral se acirrar mais.

Nos Estados Unidos, após o feriado de sexta, a curva de rendimentos dos Treasuries voltou a ganhar inclinação nesta segunda, com recuo nas T-Note de 2 anos e 10 anos, refletindo a reprecificação das expectativas para a política monetária americana após o payroll aquém do previsto, e ligeira alta no T-Bond de 30 anos.

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