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Warsh entra no cenário internacional ao lado de autoridades que enfrentam mesmo problema de inflação

Reuters
Warsh entra no cenário internacional ao lado de autoridades que enfrentam mesmo problema de inflação
Warsh entra no cenário internacional ao lado de autoridades que enfrentam mesmo problema de inflação

Por Howard Schneider

1 Jul (Reuters) - A abordagem simplificada do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, em relação à política monetária ganha audiência internacional nesta quarta-feira, quando ele estará ao lado pares globais que compartilham de sua batalha para reduzir a inflação, mas adotam uma visão mais ampla sobre questões como as mudanças climáticas.

Warsh participará de uma sessão de perguntas e respostas com início às 10h (horário de Brasília) no fórum econômico anual do Banco Central Europeu em Sintra, Portugal, onde dividirá o palco com a presidente do BCE, Christine Lagarde e os presidentes do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, e do Banco do Canadá, Tiff Macklem.

Todos os três foram signatários de uma carta sem precedentes neste ano em apoio ao ex-chair do Fed, Jerome Powell, em sua batalha contra o governo Trump pela independência do Fed, uma questão que atingiu um marco importante nesta semana quando a Suprema Corte dos EUA decidiu que a diretora do Fed, Lisa Cook, pode manter seu cargo apesar do anúncio feito pelo presidente Donald Trump no ano passado de que a havia demitido.

Powell tem sido elogiado por seus pares como um baluarte nessa luta, considerada importante para manter o Fed como um pilar da estabilidade financeira global. Warsh, até o momento, tem se mostrado relutante em se pronunciar diretamente sobre questões como a tentativa de demissão de Cook ou a pressão jurídica exercida contra Powell.

Trump escolheu Warsh para suceder Powell, que continua sendo membro da diretoria do Fed. O novo chair assumiu o cargo no final de maio.

Esta quarta-feira será a primeira aparição pública de Warsh além da coletiva de imprensa de 17 de junho, realizada após sua primeira reunião de política monetária como chair, na qual o Fed manteve a taxa de juros e Warsh adotou um tom hawkish ao prometer atingir a meta de inflação de 2% do banco central.

Seus comentários naquele dia levaram os investidores a aumentar as probabilidades de que o Fed eleve a taxa de juros já em setembro, colocando o banco central dos EUA em uma trajetória intermediária após a recente decisão do BCE de elevar os juros e a hesitação dos bancos centrais da Inglaterra e do Canadá em apertar a política monetária dada a fraqueza econômica local.

“Ficamos surpresos com a postura hawkish de Warsh”, escreveram analistas da Yardeni Research antes da aparição pública em que ele poderá ajustar sua mensagem — ou, mais provavelmente, reiterar que está, na medida do possível, abandonando completamente a prática de “orientação futura”.

O primeiro comunicado de política monetária divulgado sob a liderança de Warsh não teve qualquer orientação sobre para onde os juros poderiam se dirigir, e, em sua coletiva de imprensa, o novo chair disse que espera que essa abordagem afaste os mercados das informações que, em sua opinião, tornam o banco central menos ágil e os investidores menos independentes em seu raciocínio.

Será uma nova abordagem para o Fed, onde uma cultura loquaz sobre economia e juros passou a ser vista como parte da prestação de contas ao público e da boa formulação de política monetária.

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