Tudo na vida tem sua história. A corrupção, evidentemente, também não poderia deixar de tê-la. O Império Romano foi facilmente vencido pelo bárbaros, porque Roma vivia mais de orgia. O absolutismo francês, inspirado na frase de Luís XIV, ou seja: “L' Êtat c'est moi”, o Estado sou eu, já no governo de Luís XVI emudeceu ante a avalanche de uma burguesia enfurecida que exigia a moralização da coisa pública e a extinção dos privilégios dos nobres e do clero. Aqui entre nós, a corrupção começou logo após o descobrimento, com o contrabando de pau-brasil para a Europa. Assim, por tais fases tem passado os povos, as nações e os Estados.
Em razão disto, uma coisa a história nos tem mostrado, ou seja, as grandes mudanças sociais são sempre frutos de revoluções provocadas por corrupçãoincontrolável. Lamentavelmente, os chamados países do terceiro mundo, inclusive o Brasil, uns mais, outros menos, por algum tempo parecem estar sofrendo desses males que a história registra. Na sua maioria, a corrupção em seus quadros administrativos já está tão enraizada que se assemelha a uma instituição nacional.
E o mais interessante, os seus agentes, por se julgarem acobertados pelos segredos daqueles com quem transacionam, surgem aqui, acolá, pregando honestidade. E se rico ficaram, passaram a ser puros, pois o dinheiro é o melhor sabão para limpar as nódoas do passado. Tais pregações, na realidade, não passam de falácias. E não chegam a iludir ninguém, porquanto o povo é apenas insípido na aparência, porém ninguém se engane, ele sabe de tudo. Evidencia-se, portanto, que um país impregnado de vícios assim, dificilmente os seus programas de desenvolvimento econômico e social, chegam a um final feliz. Isto porque a corrupção acaba por desvirtuá-los dos seus verdadeiros objetivos.
O Brasil de hoje, mais do que nunca, está sofrendo desse câncer social, chamado corrupção em dosagem alta. Infelizmente, ela está em toda parte, em quase todas as transações que envolvem o interesse público, a exemplo das licitações, das fiscalizações fazendárias e de trânsito no percentual de 30% nos atos de compra e venda de mercadorias, cujo valor do ICMS no percentual de 50% não chegam aos cofres públicos, nas eleições para preenchimento de cargos eletivos, haja vista a notória negociata de votos na base de 60% dos que são supostamente eleitos na sonegação da contribuição de previdência, que chega à casa dos 30%, bem como do imposto de renda que é de 30%, e desvio de dólares para o exterior quase sempre como espécie de lavagem de dinheiro da ordem de 30%.
Impõe-se, destarte, não só por parte do próprio governo como também da camada mais esclarecida da sociedade, o combate sistemático à corrupção para que projetos tais como o da reforma agrária, da assistência à infância, ao setor habitacional, aodesenvolvimento da agroindústria, e da própria pesquisa que mesmo sejam injetado capital a juros módicos, a corrupção acaba por desviar os seus fins.
E como se não bastasse, ainda temos o jogo do bicho, grande escola da corrupção na área policial que funciona abertamente há mais de setenta anos, porém, proibido certamente para não pagar imposto e não terem os chamados cambistas direito à previdência social.
Os discursos que escutamos no país contra a corrupção, a cada novo escândalo, são tão belos quanto os sermões do Padre Antônio Vieira. Pedem a punição dos corruptos e bradam pela retomada da ética. Só que estes discursos erram ao centrar sua atenção nos corruptos e não no sistema que deixa as carteiras dando sopa nas praças. Erram porque, banindo da vida nacional os corruptos atuais – e não resta dúvida de que devem sê-lo -, outros de igual ou pior gabarito serão incentivados pelo próprio sistema a substituí-los no posto, Ë também uma questão cultural. Temos exemplos aqui em Manaus mesmo.
Espaço Crítico
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.
Os artigos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados nesta coluna não refletem necessariamente o pensamento do Portal do Holanda, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.



