Caros leitores, o político brasileiro é tema para a paleontologia, que estuda os fósseis, ele constitui uma espécime jurássico, que deveria figurar nos museus da história natural e não no Congresso. Claro que um ou outro parlamentar sabe preservar sua dignidade em meio à baixaria. A imprensa e as redes sociais adquiremhoje tal poder de fogo que muitas carreiras políticas dependem de sua disposição para fazê-las prosperar ou serem jogadas no limbo do esquecimento, quando não entre os condenados como réprobos. Isso produz reflexos nas pesquisas, cuja leitura não deve ser elemento definitivo para julgamento do eleitorado.
A uma distância tão grande do episódio eleitoral, nada ainda é definitivo. Desgraçadamente a mentira política sobrevive nos dias atuais, matando esperanças, perseguindo virtudes, divinizando crimes, inquietando pessoas e destruindo nomes. Tudo isso perturba a serenidade da consciência moral e perverte o sentimento da dignidade humana. Na explicação das mutações sociais, não há que se culpar a política, mas os que a exercitam dolosamente. Política não é essa sofreguidão em defender interesses individuais. É ter o uso legítimo do poder para alcançar o bem comum da sociedade. Não esquecer Sócrates que advertiu aos homens de bem e justos que entrassem na política.
O maior castigo do homem de bem que recusa governar os outros é o de ser governado pelos piores. Difícil chegar ao idealismo de Platão, que coloca a vida pública à altura de um sacerdócio. Difícil também o conceito aristotélico sobre política por considerá-la a mais alta das ciências. Foi essa repulsa política que ensejou a subida do maquiavelismo. Aí está a herança desse maquiavelismo sequioso. A indignação do presidente, como outrora fizera Ruy, tem justificativa, porque o Brasil, que não é o da mentira, tem um povo de alma livre, tem imprensa sem censura e regras democráticas sem coação.
O Brasil não é isso, que se assoalha de crise aguda invencível, mas o Brasil é o real, confiante no seu destino e na força de seu potencial. Não desacredito na política, mas duvido muito das intenções dos políticos, cuja campanha sempre capitula, na solução de problemas.
Espaço Crítico
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Universidade Federal do Amazonas, mestrado em Administração Pública também pela UFAM e doutorado pela Universidade de Barcelona na Espanha. Foi Secretário Municipal de Administração, Diretor de Planejamento do Tribunal de Contas do Amazonas, e atualmente é Consultor de Empresas com ênfase em Planejamento Estratégico.
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