Em minha infância, na Cachoeirinha, costumava jogar bola na rua, primeiro no campo do Curtume, depois na rua Itacoatiara antes de ser asfaltada. Quando vinha um carro, parava-se a pelada, congelando-se os movimentos —- ninguém, mesmo sem a bola, podia se mexer —- e logo tudo continuava. Para ir ao colégio, eu ia a pé. Os vendedores domiciliares andavam de porta em porta e eram muito bem recebidos, às vezes até com cafezinho e biscoitos. Mas tudo isso pertence ao passado.
A sociedade moderna mudou, tanto para melhor como para pior. No lado bom, há o avanço da medicina, o acesso à informática, a inteligência artificial, a popularização do turismo e tantas outras atividades. Na parte ruim, estão a excessiva informalidade nas relações do trabalho, a exclusão social, a pobreza e a violência. Mas estamos cansados e aterrorizados pela permissividade da política de segurança pública com dramas vividos e sofridos no dia a dia pelo cidadão: a banalização do sexo, a tolerância às drogas e o indulgente combate ao seu tráfico, a insegurança no domicílio, o sequestro, a ousadia de bandidos e de servidores públicos de sua igualha, o ostensivo poder paralelo dos presídios, a guerrilha urbana e tantas outras não merecidas desditas a intranquilizarem a sociedade e a afrontar o poder público.
É o crime a se organizar diante da complacência do poder do Estado, que se desorganiza. A violência encontra-se intimamente dependente da perversa distribuição de renda, da injustiça social e da impunidade. E tudo isso medra daninhamente nos centros do poder, constituindo o fator patogênico mais importante e mais indigno em todo o mundo subdesenvolvido. E para esta sociopatia falecem a nós pobres mortais, remédios capazes de, no mínimo, tangenciar o problema real, que é anterior e mistifica a doença; esta, na realidade, uma indignidade menor e transfigurada, que leva milhares de infelizes a engrossarem as filas dos ambulatórios, em busca da saúde perdida.
Se somos impotentes, mais ainda o são os governantes que, movidos por solavancos de solidariedade humana, só enxergam a adoção de terapêuticas paliativas e protelatórias. Pobres visionários: ignoram ou fingem não ver que a solução racional, antes de tudo, reclama que se reponha ordem na sociedade! Melhor ainda, reclama se restaure. O ideal seria que o crime não existisse. Não é assim. Ele estará no meio social enquanto houver convivência humana.
O crime, portanto, é um fenômeno social que jamais deixará de existir. Nesse sentido, a prevenção ao crime é de suma importância para o exercício do controle da criminalidade. Não para extirpá-lo de uma vez por toda da vida social, mas com o condão de diminuir a sua incidência.
Manaus não é mais a cidade pacata, em que o leiteiro deixava os frascos do lado de fora da porta, todas as manhãs, à espera que o morador acordasse. As polícias civil e militar, mesmo diante de obstáculos orçamentários e ante dificuldades da formação cultural de muitos de seus integrantes, mostram denodo e vontade de acertar. Mas a guerra se espraiou, facções criminosas, se infiltram e toda parte, a partir de agora, todos devem cuidar, com mais ênfase, de sua própria segurança e, em conjunto, nos condomínios, da segurança geral. Para o bem-estar de todos
Espaço Crítico
Possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.
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