Há sensacionalismo e busca de seguidores, nos blogs, jornais impressos e portais de Manaus e do Brasil. É fato que a mídia, a cada dia pretende resumir o que vai pelo mundo, o País e a cidade, cobrindo eventos que falam de alegria e tristeza, de vida e morte. Tem a imprensa o direito de publicar o que quiser? Respeitar a privacidade do outro deve ser a lei maior para todos. A ética do jornal seria diferente da ética da pessoa? Ser ético é ser justo, magnânimo. O que se vai publicar edifica e enobrece? Vá lá que cada profissional tenha um jeito de fazer o seu trabalho, inquirir, perguntar.
A questão é complexa e é bom que mídia e jornalistas fiquem sob permanente fiscalização dos leitores (via cartas, e-mail e whatsaps). Os jornais também morrem, alguns sufocados pela violência do Estado, outros derrotados pelo desinteresse dos leitores. Jornal deve publicar o que interessa a todos, mas não pode descartar notícia boa para um só leitor que seja. Mas o que seria do mundo neste terceiro milênio sem a mídia? Com o primeiro jornal impresso, Nieuwe Tijdinhen (Antuérpia, 1605), selou-se o fim das folhas manuscritas modeladas pelas Actas Diurnas romanas. Hoje estamos sob o domínio da informação industrializada que caça o leitor/telespectador/ouvinte como um raro diamante no fundo da terra.
Como parte integrante do processo civilizatório, o jornalismo é praticado por empresas que evidentemente visam o lucro, o que não deve anular o seu caráter de serviço público. Quem pesquisar a história constata que, já em 1910, em pleno regime da imprensa de tipos móveis de Gutenberg, Max Weber colocava em questão saber como se obtém o material que se publicava. Hoje essa tarefa seria impossível, pois bilhões de palavras e mensagens manipuladas pelos governos, capitalistas, líderes de partidos, chefes religiosos etc. bombardeiam as redações. Como selecionar esse aluvião de palavras, substantivos, verbos, advérbios, intenções expressas ou ocultas?
Vale censurar? Kennedy em 1960 reuniu os donos da mídia e recomendou que escondessem a invasão de Cuba patrocinada pelos EUA. Foi atendido. E Humberto Eco não criticou o enxame de informação para nada, ao dizer que tem à mão quase 15 milhões de sites, mas não sabe o que fazer com eles? A menos que ele fosse um supercomputador para decodificar em um segundo bilhões de palavras/signos/informações. Claro que o editor é responsável pela seleção do que se publica. Mas selecionar não é, de qualquer forma, um ato que pode ser acoimado de arbitrário ou censório? Se está na pauta, o repórter chega lá, pergunta, vê, apura, redige, o jornal publica. Portanto, não há como condenar ou proibir a divulgação de eventos que envolvam pessoas públicas ou notórias. Sempre se alegará o direito do povo (público) de saber o que se passa.
Como fazer um jornalismo exato, justo, eis a questão. No Brasil existem dois estatutos importantes: o código de ética das empresas, elaborado pela Associação Nacional de Jornais, e o Código de Ética do Jornalista, aprovado em Congresso da Fenaj-ABI (1985)). Mas nenhum desses textos, assim como a Declaração de Princípios da Federação Internacional de Jornalistas, tem poder para obrigar qualquer veículo a segui-los.
O fato é que a informatização mudou a imprensa. A frenética disputa com a TV leva o jornal a tornar comum certo exagero.
Ruim mesmo é o jornal de partido ou sob censura (Brasil do Estado Novo e do ciclo militar de 64 a 85). Antes o excesso do que o dedo podre da censura. Ou a administração das notícias.
Espaço Crítico
Possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.
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