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Uefa notifica Fifa juridicamente após plano fracassado de Infantino de vender fatia da Copa do Mundo

Uefa notifica Fifa juridicamente após plano fracassado de Infantino de vender fatia da Copa do Mundo
Foto: Creative Commons / Piotr Drabik

A Uefa confirmou o envio de uma carta de preservação de documentos à Fifa, depois do fracasso do plano conduzido por Gianni Infantino para vender a investidores privados uma participação nos lucros futuros da Copa do Mundo. A entidade europeia confirmou a informação à Al Jazeera nesta terça-feira (4), sem acrescentar outros comentários.

Documento jurídico formal, a carta notifica a Fifa de que dados, documentos e mensagens eletrônicas devem ser mantidos, por constituírem possível material de prova. Assinada pelo escritório nova-iorquino Dechert e datada de sexta-feira, ela informa que o órgão europeu avalia ativamente ação judicial, arbitragem e queixas regulatórias relacionadas ao plano batizado de FIFA Forward Enterprise. O texto adverte que destruir, apagar, alterar, ocultar ou perder materiais relevantes após o recebimento da notificação pode configurar destruição de provas. Ao todo, 18 executivos da Fifa foram nomeados, entre eles Infantino, o diretor financeiro Thomas Peyer e Arsène Wenger, responsável pelo desenvolvimento global do futebol na entidade. O advogado Andrew J. Levander escreveu que processos judiciais são razoavelmente esperados, citando a avaliação de agentes do futebol de que o plano era incompatível com a boa governança do esporte.

A proposta previa levantar 4,2 bilhões de dólares junto a investidores, incluindo a firma nova-iorquina de Joshua Kushner, e foi retirada no sábado, poucos dias depois de a revelação provocar reação global. Avaliada pela Fifa em 20 bilhões de dólares, a operação transferiria o controle das atividades comerciais e de torneios da entidade até pelo menos 2038, com a promessa de mais que dobrar os repasses de desenvolvimento às 211 federações filiadas. Cada uma delas receberia um pagamento único de 20 milhões de dólares, com prazo até meados de setembro para aceitar. Segundo o diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, em declaração dura divulgada na sexta-feira, o projeto era obra de um homem só, e os funcionários se sentiram enganados pelo chefe.

A Uefa liderou a reação. Na quinta-feira, suas 55 federações-membro decidiram boicotar todos os eventos e competições da Fifa enquanto a proposta estivesse de pé. No sábado, a entidade sinalizou que pretende encerrar a década de presidência de Infantino, afirmando que ele perdeu a confiança do futebol mundial e que nenhuma opção deveria ser descartada. A federação sueca confirmou na segunda-feira que os europeus buscam um candidato alternativo para a eleição presidencial marcada para março. Confederação Asiática e Concacaf também se manifestaram contra o plano, enquanto Infantino mantém apoio mais sólido na África, e a Conmebol conta com ele para ampliar a Copa de 2030 para 64 seleções, o que daria mais jogos a Argentina, Uruguai e Paraguai, país do presidente da entidade sul-americana, Alejandro Domínguez.

A virada foi rápida. Há duas semanas, depois da final da Copa do Mundo em Nova York, o dirigente de 56 anos parecia caminhar para a reeleição sem oposição em março, para um quarto e último mandato até 2031. A Fifa afirmava, durante o Mundial, que ele tinha cartas de apoio de cerca de 200 das 211 federações; agora esses documentos vêm sendo retirados na Europa, e a federação de Gales foi a primeira a anunciar a mudança de posição. O plano também poderia render a Infantino um cargo de perfil executivo após 2031, com remuneração bem acima do pacote atual de 6 milhões de dólares anuais.

Na segunda-feira, circulou a informação de que Infantino buscava apoio do governo de Donald Trump, seu aliado, possivelmente em ligação com o secretário de Estado Marco Rubio. O subsecretário de Estado para assuntos públicos globais, Dylan Johnson, negou publicamente a existência de qualquer conversa marcada. O prazo para inscrição de candidaturas vai até 18 de novembro, e a eleição acontece quatro meses depois, no Marrocos, um dos principais aliados de Infantino e coanfitrião da Copa de 2030 ao lado de Espanha e Portugal.

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