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Depósitos em espécie e contas fantasmas: Como Deolane recebia dinheiro do PCC, segundo a polícia

Depósitos em espécie e contas fantasmas: Como Deolane recebia dinheiro do PCC, segundo a polícia
Deolane seria a recebedora do esquema - Foto: Reprodução/Montagem Portal do Holanda

A nova prisão da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, no âmbito da Operação Vérnix, traz à tona detalhes de uma investigação minuciosa que a aponta formalmente como uma das principais recebedoras de recursos de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo, o rastreamento financeiro identificou que Deolane utilizava sua projeção pública, empresas formais e a movimentação de patrimônio de alto padrão para conferir uma camada de aparente legalidade ao dinheiro da facção liderada por Marco Camacho, o "Marcola".

A rota do dinheiro: Deolane como beneficiária da facção

O cruzamento de dados bancários e materiais apreendidos nos últimos anos permitiu aos investigadores mapear como o dinheiro do PCC chegava até a influenciadora:

Depósitos fracionados (Smurfing) : Entre 2018 e 2021, a conta de pessoa física de Deolane recebeu R$ 1.067.505,00 por meio de depósitos em espécie estruturados em valores inferiores a R$ 10 mil — tática utilizada para burlar os mecanismos de controle do Coaf. A investigação aponta que os repasses partiam do caixa da facção operado pela Lado a Lado Transportes (uma empresa de fachada) e eram intermediados por Everton de Souza, o "Player", que indicava a conta de Deolane para os "fechamentos" mensais.

Transações com empresa fantasma: Duas empresas de Deolane receberam quase 50 depósitos que somaram R$ 716 mil. O remetente era uma empresa de crédito cujo responsável legal é um morador da Bahia que recebe cerca de um salário mínimo por mês. A polícia constatou que não houve nenhuma prestação de serviço ou transação comercial que justificasse essa movimentação.

Ausência de lastro profissional: A quebra de sigilo demonstrou que não foram identificadas prestações de serviços advocatícios por parte de Deolane que pudessem justificar o recebimento desses montantes milionários.

Diante das evidências de ocultação e dissimulação de patrimônio, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões das contas de Deolane, valor correspondente ao total de recursos sem origem comprovada e com fortes indicativos de lavagem.

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A origem da investigação e o elo com a cúpula

A engenharia financeira começou a ser desmantelada em 2019, a partir da apreensão de bilhetes com ordens internas de lideranças na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os manuscritos faziam menção a uma "mulher da transportadora", o que levou à Operação Lado a Lado em 2021.

A peça-chave para ligar o esquema a Deolane foi a apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, homem de confiança de Marcola e Alejandro Camacho. No aparelho de Ciro, os investigadores localizaram imagens de comprovantes de depósitos bancários emitidos diretamente para as contas da influenciadora e de suas empresas, revelando que os valores operados por ele também se destinavam a subsidiar familiares da cúpula do PCC.

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Risco de fuga e sofisticação justificaram prisão preventiva

Ao decretar a prisão preventiva de Deolane Bezerra e dos demais envolvidos, a Justiça de São Paulo destacou a extrema sofisticação da organização criminosa e a necessidade de garantir a ordem pública. Os magistrados entenderam que o grupo continuava operando o esquema e que a manutenção da liberdade dos alvos representava um risco real de ocultação de bens, destruição de provas e interferência nas investigações. O risco de fuga também foi severamente ponderado, uma vez que a influenciadora cumpria agenda no exterior dias antes da deflagração da operação.

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