Câmeras corporais de policiais mostram o momento em que a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi acordada e presa em sua residência de luxo em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, logo após retornar de uma viagem a Roma, na Itália, na última quinta-feira (21).
Deolane é suspeita de integrar um esquema do PCC e lavar dinheiro para a facção por meio de recebimento de grandes quantias por meio de empresas fantasmas. Nos últimos 20 dias antes da prisão, ela estava já estava sendo monitorada à distância pelas autoridades brasileiras e pela Interpol, que chegaram a planejar sua detenção em território italiano.
A operação é desdobramento de uma investigação iniciada em 2019 pelo Ministério Público e pela polícia paulista baseada em bilhetes apreendidos na penitenciária de Presidente Venceslau, que revelaram um esquema de lavagem de dinheiro e tráfico internacional de cocaína ligado às lideranças da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcola e Marcolinha.
A acusação aponta que Deolane funcionava como "caixa" da organização criminosa, utilizando sua relevância nas redes sociais para pulverizar e ocultar capital ilícito. Peritos financeiros identificaram que, entre 2018 e 2022, a influenciadora movimentou R$ 13,6 milhões em suas contas pessoais e R$ 14 milhões por meio de três empresas de fachada.
Segundo a polícia, apesar de Deolane alegar que grande parte do dinheiro vem de receitas publicitárias, isso não foi comprovado nas quebras de sigilo. Além disso, a investigação encontrou ao menos três empresas fantasmas em nome de Deolane registradas em endereços compartilhados com outras firmas de fachada no interior do estado.
O esquema principal da facção operava por meio de uma transportadora vizinha ao presídio, administrada por um casal de laranjas em contato direto com os familiares dos líderes e com o gestor financeiro do grupo, Everton de Souza.
Nesta semana, a influencer e advogada teve seu pedido de liberdade negado pela Justiça de São Paulo em audiência de custódia e foi transferida para o presídio feminino de Tupi. A defesa da influenciadora nega qualquer envolvimento com o crime organizado ou com verbas ilícitas, sustentando que os montantes movimentados são justificados e decorrem legitimamente de sua atuação anterior na advocacia criminal. Os defensores de Marcola e dos filhos de Marcolinha, irmãos do líder do PCC, também contestaram as acusações e as ordens de prisão, classificando-as como arbitrárias e baseadas em menções indiretas de terceiros. Os demais citados no caso não foram localizados ou optaram por não se manifestar.



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