O monitoramento do Oceano Pacífico entrou em estágio de alerta máximo. Um novo relatório global emitido por cientistas do governo americano nesta quinta-feira (11/06) aponta que o fenômeno El Niño já está ativo e tem 63% de probabilidade de atingir um patamar de força devastador até o fim do ano. Se as projeções se confirmarem, o evento figurará entre os maiores extremos climáticos medidos no planeta nos últimos 75 anos.
A confirmação põe fim às especulações de analistas internacionais, que já observavam o aquecimento atípico das águas na região da Linha do Equador. O foco dos meteorologistas agora se volta para a intensidade do fenômeno, cujos efeitos devem se estender até o início de 2027.
O mecanismo por trás do fenômeno
O El Niño surge quando a faixa equatorial do Pacífico sofre uma elevação térmica igual ou superior a $0,5^\circ\text{C}$. Essa mudança mexe diretamente com os ventos globais, alterando o regime de chuvas e o comportamento das frentes frias ao redor da Terra.
Especialistas ressaltam que o fenômeno é um ciclo natural, mas o grande perigo atual reside no fato de ele se desenvolver em um planeta com a atmosfera já superaquecida devido às mudanças climáticas. Essa combinação tende a potencializar desastres ambientais.
Como o Brasil será afetado
O período crítico dos impactos em território nacional está previsto para ocorrer entre os meses de novembro e janeiro. O comportamento do clima será dividido no país:
Seca crônica no Norte e Nordeste: A escassez de chuva pode castigar a bacia amazônica e o semiárido, prejudicando o abastecimento e aumentando o risco de incêndios florestais;
Excesso de chuva no Sul: Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná ficam sob a ameaça de tempestades severas e enchentes recorrentes;
Calor sufocante no Sudeste e Centro-Oeste: O bloqueio atmosférico deve trazer verões com temperaturas recordes e chuvas mal distribuídas.
A gravidade desse cenário afetará diretamente setores estratégicos, como a produção de alimentos na agricultura, o preço da energia elétrica e o nível dos reservatórios de água.
Retrospectiva: O histórico recente
Nos últimos anos, mesmo as ocorrências mais fracas do fenômeno trouxeram consequências severas para a economia global devido à vulnerabilidade climática da Terra:
2006 a 2010: Períodos que alternaram entre eventos de força fraca e moderada;
2014–2016: Um "super El Niño" causou quebras de safra e recordes de calor;
2018–2019: Ciclo mais curto e de menor impacto;
2023–2024: Evento de forte intensidade com marcas térmicas históricas;
2026–2027: Ciclo atual recém-confirmado, com alto potencial de destruição.



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