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Ancelotti está perto de prorrogar contrato para comandar seleção brasileira

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Ancelotti está perto de prorrogar contrato para comandar seleção brasileira
Ancelotti está perto de prorrogar contrato para comandar seleção brasileira

Por Fernando Kallas

RIO DE JANEIRO, 14 Mai (Reuters) - Carlo Ancelotti chegou ao Brasil com cinco títulos da Liga dos Campeões como técnico, troféus das cinco maiores competições da Europa e uma reputação de fazer com que os vestiários respirassem um pouco mais aliviados.

Um ano depois, ele sabe que este cargo é algo diferente: rotina menos desgastante do que em clube, mais obsessão nacional e talvez seu último trabalho.

Por enquanto, o italiano está curtindo o ritmo do futebol da seleção brasileira e disse que a prorrogação de seu contrato até 2030 está próxima.

Ancelotti assinou um contrato de um ano quando assumiu o cargo de técnico do Brasil em maio passado, mas deve continuar após a Copa do Mundo.

"Acho que sim, está tudo resolvido, só temos que assinar. Eu gostaria de ficar", disse ele.

"Vejo uma equipe com grande potencial para o futuro. Temos jogadores jovens de alto nível, uma nova geração que está chegando aqui e que é de um padrão muito alto."

O italiano de 66 anos assumiu o comando do Brasil depois de uma carreira brilhante em clubes, mas a preparação para a Copa do Mundo trouxe um tipo diferente de teste -- menos sessões de treinamento, mais emoção e a agonia de escolher 26 nomes em um país onde a icônica camisa amarela representa mais do que apenas uma equipe.

O Brasil não contará com jogadores importantes, como Rodrygo, Estêvão e Éder Militão, devido a lesões, o que aumenta a pressão antes de Ancelotti anunciar sua lista de convocados no Rio de Janeiro na segunda-feira. Além disso, há também Neymar, cuja inclusão (ou não) na equipe está causando debates pelo país.

O Brasil enfrenta Marrocos, Haiti e Escócia no Grupo C do Mundial.

"Isso pesa muito para mim", disse Ancelotti à Reuters em uma entrevista exclusiva na terça-feira, quando perguntado sobre o custo humano de cortar jogadores de sua equipe.

"Tenho de fazer um julgamento profissional sobre um jogador, uma pessoa com quem me dou muito bem pessoalmente, jogadores que estiveram conosco, mas que talvez eu não possa chamar... isso tem um impacto. Isso afeta minhas emoções", completou ele.

"É um alívio apresentar a lista de convocados. Embora, mais do que o alívio que você sente por ter feito o seu trabalho, é algo mesclado com a tristeza que você sente por ter de tomar essa decisão."

Alívio é uma palavra que Ancelotti usa com frequência. A vitória, segundo ele, não traz alegria pura, mas sim o alívio da pressão antes que a próxima demanda chegue.

"Quando você ganha, o que você sente não é felicidade, é alívio", disse ele. "E quando você perde, é um verdadeiro sofrimento físico e mental."

MUDANÇA DE RITMO

A mudança do futebol de clube para uma seleção também alterou o ritmo da vida de Ancelotti.

Em seu último trabalho em um clube, o Real Madrid, o próximo jogo estava sempre a poucos dias de distância. No Brasil, há mais tempo para refletir -- e talvez mais tempo para um técnico que passou três décadas se adaptando às mudanças do futebol.

"É um trabalho diferente", afirmou Ancelotti. "Este trabalho me dá mais tempo para refletir, mais paz de espírito... Voltar para um clube? Acho que não. É bem possível que este seja meu último trabalho."

A ligação do italiano com o Brasil remonta aos seus tempos de jogador no início dos anos 1980 na Roma, onde atuava ao lado de ícones como Falcão e Toninho Cerezo.

Além disso, houve a Copa do Mundo de 1994, quando ele foi assistente de Arrigo Sacchi quando a Itália perdeu a final para o Brasil nos pênaltis.

Ancelotti disse que não poderia ter previsto que um dia treinaria o Brasil -- ou que a Itália estaria ausente de outra Copa do Mundo.

"Eu também não poderia imaginar, há um ou dois meses, que a Itália estaria fora da Copa do Mundo e, infelizmente, esta é agora a terceira Copa do Mundo consecutiva que a Itália fica de fora", declarou.

Os italianos perderam na disputa de pênaltis para a Bósnia e Herzegovina na final da repescagem em março.

"Para um italiano, isso é triste, mas é uma oportunidade para os italianos apoiarem o Brasil nesta Copa do Mundo", acrescentou Ancelotti.

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