Em vez de soterrar as dúvidas dos investigadores do Senado, o depoimento do procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, na verdade levantou novas e potencialmente prejudiciais questões sobre suas ações. Em particular, levanta duas dúvidas: por que seu afastamento das investigações não aconteceu antes, e por que — uma vez que se afastou — ele participou da decisão do presidente de demitir o então diretor do FBI, James Comey, se, como Donald Trump admitiu, saiu por conta do inquérito sobre a Rússia?
Sessions afirma que não se afastou por temores de que fosse alvo da investigação, mas sim porque seguiu uma regra do Departamento de Justiça que proíbe que conselheiros de campanha participem de investigações sobre essa mesma campanha. O procurador diz ter começado a discutir a possibilidade de afastamento em 10 de fevereiro, mas não explicou por que esperou até 2 de março para fazer o anúncio formal. Também não explicou porque o governo não discutiu essa possibilidade antes mesmo de ele assumir o cargo de procurador-geral, já que, em janeiro, sua antecessora, Sally Yates, alertara que Michael Flynn, ex-conselheiro de Segurança Nacional de Trump, poderia ser suscetível à chantagem por parte da Rússia.
A pressão para seu afastamento surgiu apenas depois que o “Washington Post” revelou que ele havia se encontrado com o embaixador russo, Sergey Kislyak em julho e setembro — contradizendo seu testemunho na audiência de confirmação, quando afirmou não ter travado qualquer contato com autoridades russas.
Mas as questões sobre o afastamento não acabam aí. Sessions também se esquivou das perguntas da senadora democrata Dianne Feinstein sobre sua participação na decisão do presidente de demitir Comey. Trump pediu a Sessions e ao vice-procurador-geral Rod Rosenstein que preparassem um memorando justificando sua decisão, e mais tarde admitiu à NBC News que demitiu Comey por conta da investigação sobre a Rússia.
Ao ser questionado sobre sua conversa com o presidente que teria levado ao memorando, ele afirmou não ter a capacidade de discutir nem confirmar ou negar a natureza de conversas privadas “sobre esse assunto ou qualquer outro”. Mas isso não responde à pergunta sobre como Sessions explica seu afastamento. Na verdade, apenas levanta mais dúvidas sobre o tema.
“Por que o senhor assinou uma carta recomendando a demissão de Comey quando isso violava seu afastamento?”, perguntou o senador Ron Wyden. Sessions negou violações, e não disse nada que significativamente justifique sua participação no caso.
Para o procurador-geral — e para a Casa Branca — todas essas questões não devem desparecer tão cedo.

