Por Sarah Young
LONDRES, 9 Jul (Reuters) - O tom rouco que tornava a voz de Bonnie Tyler instantaneamente reconhecível foi resultado de um acidente.
Após uma cirurgia para remover nódulos nas cordas vocais em 1977, ela recebeu a orientação de poupar a voz. Mas, certo dia, gritou de raiva, alterando-a para sempre.
Seis anos depois, a cantora galesa lançaria sua música mais conhecida, “Total Eclipse of the Heart”, que destacava seu tom rouco e foi indicada ao Grammy.
“Holding Out for a Hero”, outra balada rock dramática, foi lançada logo em seguida, ajudando Tyler a deixar sua marca no cenário pop britânico. Ambas as gravações já apareceram em filmes, programas de televisão e comerciais.
Tyler, cujos lançamentos também incluíram “It’s a Heartache” e “Lost in France”, morreu, informou a BBC News nesta quinta-feira. Ela tinha 75 anos.
Tyler nasceu como Gaynor Hopkins no sul do País de Gales em 1951, a quarta de seis filhos de um mineiro de carvão e de uma dona de casa.
Ela cresceu em uma casa popular de quatro quartos com um grande jardim na vila de Skewen, nos arredores de Swansea. “Acho que mamãe e papai passaram por muitas dificuldades, criando uma família numerosa com muito pouco”, disse ela ao jornal The Guardian em 2012.
A música era uma constante no dia a dia, seja tocada em um radiogravador ou cantada por sua mãe, que entoava óperas ou “Itsy Bitsy Teenie Weenie Yellow Polkadot Bikini” enquanto fazia as tarefas domésticas.
Aos sete anos, Tyler foi assistir a um musical na igreja local. Lá, ela se apaixonou pela canção “There’s No Business Like Show Business”, de Irving Berlin, que despertou pela primeira vez na criança tímida o desejo de se apresentar.
“Eu não ousava nem dizer 'bu' para um ganso, e, no entanto, havia uma parte de mim que ansiava por cantar na frente das pessoas”, ela relembrou em seu livro de memórias, “Straight from the Heart”.
"ESTA ERA A MÚSICA"
Ela começou como backing vocal ainda na adolescência, antes de lançar vários álbuns próprios na década de 1970.
Mas foi somente no início da década de 1980, quando começou a trabalhar com o letrista norte-americano Jim Steinman, que ela alcançou seu sucesso comercial.
Ela conquistou Steinman -- que já era famoso por ter composto “Bat out of Hell” para Meat Loaf -- enviando-lhe demos das canções de rock teatrais que sabia que combinariam com sua voz.
Sobre o momento em que ouviu pela primeira vez a composição dele “Total Eclipse”, ela relembrou: “Eu sabia que essa era a música pela qual eu esperava a vida inteira”. Gravada por Tyler, a “avassaladora onda de som e emoção ao estilo wagneriano”, como Steinman descreveu a obra, chegaria ao topo das paradas tanto no Reino Unido quanto nos EUA.
Com a letra impactante “Era uma vez, eu estava me apaixonando, mas agora estou apenas me desmoronando”, a música já foi reproduzida mais de um bilhão de vezes na plataforma de música online Spotify.
Ela foi incluída nos filmes “Dias Incríveis” e “Vida Bandida”, nas séries de TV “Glee” e “Grey’s Anatomy”, bem como em um comercial da Mastercard.
A CRIAÇÃO DE “BONNIE TYLER”
A partir da década de 1990, ela obteve mais sucesso na Noruega, na Áustria e na França do que em seu próprio país, embora tenha representado o Reino Unido no Festival da Canção do Eurovision de 2013 e tenha sido nomeada Membro da Ordem do Império Britânico, por serviços prestados à música, em 2022.
Tyler se casou com o incorporador imobiliário Robert Sullivan, seu primeiro namorado sério, em 1973. “Ainda estou muito apaixonada por ele e ele por mim”, disse ela 40 anos depois. O casal não teve filhos.
Tyler nunca gostou muito de seu nome de nascimento. Questionada sobre como chegou a seu pseudônimo, ela disse à BBC szRadio Wales: “Peguei um jornal de grande formato e me esforcei para escrever todos os nomes próprios que encontrei em uma lista e todos os sobrenomes em outra; examinei ambas e cheguei a Bonnie Tyler.
“E tem sido um nome brilhante.”



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