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Cafu apoia reconstrução sob Ancelotti, mas diz que Brasil precisa se lembrar de como jogar

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Cafu apoia reconstrução sob Ancelotti, mas diz que Brasil precisa se lembrar de como jogar
Cafu apoia reconstrução sob Ancelotti, mas diz que Brasil precisa se lembrar de como jogar

Por Fernando Kallas

NOVA YORK, 6 Jul (Reuters) - A ferida da Copa do Mundo do Brasil está aberta novamente e, para Cafu, a cura não será encontrada apenas em táticas, esquemas ou em mais uma busca minuciosa por bodes expiatórios, ela pode começar com algo muito mais simples: deixar as crianças chutarem uma bola sem sentir o peso de uma nação sobre seus pequenos ombros.

Um dia após a dolorosa derrota do Brasil por 2 x 1 para a Noruega nas oitavas de final no estádio de Nova York/Nova Jersey, onde Erling Haaland marcou duas vezes e mandou para casa os pentacampeões, o capitão da seleção brasileira campeã da Copa do Mundo de 2002 disse que o país deve confiar no técnico Carlo Ancelotti para uma reconstrução adequada ao longo de quatro anos.

A espera do Brasil pelo sexto título agora se estenderá por pelo menos 28 anos, mais do que qualquer período sem títulos em sua história. Cafu, que fez parte da seleção de 1994 que encerrou um jejum de 24 anos, sabe o que esse número significa para a camisa brasileira.

“Ainda maior”, disse ele à Reuters na segunda-feira, quando questionado sobre a pressão que aguarda a próxima geração. “Se havia pressão em 1994, após 24 anos, imagine agora em 2030, após 28 anos.”

Responsável pela inauguração, na segunda-feira, de uma escultura de Lego da Copa do Mundo com 8,47 metros de comprimento — construída com mais de 1,36 milhão de peças de Lego — no Rockefeller Plaza, no coração de Nova York, Cafu resistiu à tentação de recorrer a hipérboles.

O Brasil, disse ele, continua sendo o Brasil, a julgar pelo “potencial e pelo calibre do futebol brasileiro”, e é exatamente por isso que a paciência será tão difícil e tão necessária.

“Não é o fim do mundo”, disse ele. “É o início de um novo ciclo e de uma nova geração, então temos que confiar que Carlo (Ancelotti) é o homem certo para ajudar o Brasil a conquistar esse título novamente.”

ANCELOTTI HERDOU SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA

Para Ancelotti, ex-técnico de Cafu no Milan, esse ciclo começa com tempo — algo que a caótica busca do Brasil pelo italiano não lhe proporcionou antes desta Copa do Mundo. Após três técnicos interinos e turbulências administrativas, Cafu disse que Ancelotti herdou menos uma seleção e mais uma situação de emergência.

“Ancelotti chegou a esta Copa do Mundo para apagar um incêndio, na verdade”, disse Cafu. “Ele assumiu o leme de um navio que já estava em movimento. Tentou endireitar aquele navio no meio da viagem... mas, infelizmente, não conseguiu."

“Agora ele assumirá o comando do navio enquanto ele estiver atracado e poderá colocá-lo exatamente no rumo certo.”

Mas a preocupação mais profunda de Cafu vai além da seleção nacional, estendendo-se às academias e aos torneios juvenis, onde o antigo senso de criatividade do Brasil, ele teme, está sendo sufocado pela pressa dos adultos. O país que outrora produzia laterais que pareciam cobrir flancos inteiros com um sorriso está, na opinião dele, confundindo a função do cargo.

“As equipes de base não estão formando laterais da maneira que deveriam”, disse ele. “Um lateral tem que ser lateral; ele tem que atuar na lateral.”

De maneira mais ampla, Cafu acredita que o Brasil confundiu desenvolvimento com vitórias precoces.

“Hoje não estamos formando jogadores, estamos formando competidores”, disse ele. “Quando você cria um programa de base em que é obrigado a vencer, acaba formando competidores; não forma atletas de verdade com liberdade criativa.”

O romantismo do futebol de rua, ele admite, não pode ser simplesmente restaurado pela nostalgia. Suas próprias lembranças pertencem a outro Brasil: asfalto, pés descalços, unhas dos pés arrancadas.

“Isso mudou. Não vai voltar”, disse ele. “Tivemos sorte nós que vivemos aquela época, que vivemos aquela era.”

Portanto, a tarefa não é recriar o passado, mas preservar algo de seu espírito dentro do futebol moderno.

“Deixem as crianças serem crianças”, disse Cafu. “Aos oito anos, uma criança deve estar brincando com uma bola, rindo e se divertindo.”

Em seguida, veio o manual de treinamento mais simples que se possa imaginar.

“É como construir com Lego”, disse ele. “Você junta as peças uma a uma e se diverte sem nem perceber que está desenvolvendo uma habilidade.”

(Reportagem de Fernando Kallas)

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