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Chile: 2º turno dependerá de extremos e moderados, dizem analistas

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BUENOS AIRES — O inesperado resultado do primeiro turno na disputa pela sucessão da presidente do Chile, Michelle Bachelet, instalou um cenário duvidoso no qual ninguém arrisca a dizer se algum dos dois candidatos que disputará o segundo turno, em 17 de dezembro, tem mais chances.

Nesta segunda-feira, o ex-presidente e candidato da aliança de centro-direita Chile Vamos, Sebastián Piñera (2010-2014), e o jornalista e candidato independente Alejandro Guillier iniciaram a segunda etapa da campanha com o desafio de se tornarem verdadeiros equilibristas.

Ambos precisam ampliar seu eleitorado buscando votos nas extremas direita e esquerda, mas, ao mesmo tempo, sem sacrificar o apoio dos moderados. Na opinião de analistas locais ouvidos pelo GLOBO, os dois estão diante de um panorama complicado, e a vitória final dependerá, essencialmente, de suas habilidades negociadoras.

O primeiro turno da eleição mostrou um novo país, do ponto de vista político. O Chile já não se divide mais entre centro-esquerda e centro-direita, como acontecia desde a redemocratização, em 1990. Surgiram novos atores políticos como a esquerdista Frente Ampla (FA, que elegeu 21 deputados), ao mesmo tempo em que outros, como o chamado neopinochetismo, se negam a desaparecer (seu candidato à Presidência, José Antonio Kast, alcançou 7,93%).

E no meio de ambos, convivem setores mais moderados ainda alinhados com partidos tradicionais como o Socialista, de centro-esquerda, e Renovação Nacional, de centro-direita.

Essa heterogeneidade é a nova realidade do Parlamento, fruto da reforma eleitoral aprovada no segundo mandato de Bachelet. O número de deputados passou de 120 para 155 e no futuro governo ninguém terá maioria. A maior bancada será da aliança de centro-direita, com 71 cadeiras, mas o futuro presidente deverá negociar cada projeto de lei que quiser aprovar.

- Em termos da disputa pela Presidência, vejo uma situação mais favorável a Guillier porque ele tem menos limitações para crescer conquistando votos da FA, dos democratas cristãos e do Partido Progressista - opinou o reitor da Faculdade de Governo da Universidade do Chile, Marco Moreno.

Já Piñera, que alcançou 36,65%, se quiser os votos de Kast deverá, por exemplo, negociar benefícios para militares presos por violações dos direitos humanos. O ex-chefe de Estado também tentará apropriar-se de votos da Democracia Cristã (DC), que teve seu pior resultado desde o retorno da democracia, obtendo apenas 5,8% e reduzindo de forma expressiva seu espaço no Congresso.

Piñera aposta que parte desses eleitores não está mais disposta a respaldar os antigos aliados da DC na Concertação e poderia votar na aliança de centro-direita.

O trabalho de Guillier nas próximas quatro semanas também será árduo. A FA, que ficou com 20,27% dos votos, já deixou claro que não pedirá a seus eleitores que votem no candidato independente. A única alternativa de Guillier, apontou o professor Juan Pablo Luna, da Universidade Católica, é colocar-se à frente de um movimento anti-Piñera.

- Muitos dos eleitores da candidata da FA, Beatriz Sánchez, viram nela uma defensora mais eficiente das reformas de Michelle Bachelet. O que Guillier deve fazer é assumir esse papel, prometer preservar e aprofundar o legado de Bachelet, sobretudo em matéria de educação, saúde e direitos civis - assegurou Luna.

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