Por Rollo Ross
NOVA YORK, 5 Jul (Reuters) - O cineasta Christopher Nolan dá continuidade ao seu sucesso de bilheteria vencedor do Oscar “Oppenheimer” com “A Odisséia”, uma adaptação do poema épico da Grécia Antiga de Homero. O filme da Universal Pictures, estrelado por Matt Damon no papel do heróico rei Odisseu, estreará nos cinemas em 17 de julho.
Em entrevista à Reuters, Nolan falou sobre como abordou essa história grandiosa e descobriu uma maneira de adaptá-la do texto para a tela. Seguem trechos editados para maior concisão e clareza.
P: Acho que poucas pessoas compreendem o quão hercúlea deve ter sido a tarefa de fazer esse filme. Por que você quis fazer isso?
Nolan: “Gosto muito de adaptações. Gostei de adaptar o roteiro de ‘Oppenheimer’ a partir de um livro muito acadêmico de 700 páginas para um filme."
Com Homero, “é um desafio.”
“Quando percebi que, para mim, ao analisar o texto do poema, ele traz recompensas realmente incríveis. Mas as contextualizações que um filme exige não estão presentes em um poema épico, porque o público dele já está familiarizado com os elementos. Então, quando Odisseu encontra Argos perto do final do poema, você sabe, seu fiel cão de caça..., o público já sabe que isso vai acontecer. Para nós, temos que preparar isso. Quando comecei a perceber que, tudo bem, é preciso tomar algumas liberdades, é preciso reorganizar algumas coisas para tentar transmitir a impressão que você teve ao vivenciar o poema, sabe, foi aí que as coisas começaram a ganhar impulso.”
P: Você espera, de certa forma, educar as pessoas ao fazer esse filme?
Nolan: “Acho que ‘educar’ é uma palavra muito assustadora para alguém que está lançando um filme gigantesco. Queremos entreter as pessoas.
Para mim, estamos fazendo o filme para pessoas que não sabem nada sobre Homero e esse poema épico, e também para pessoas que têm muito interesse nesse universo e o amam. É preciso fazer com que funcione para todo mundo.
Mas não sou estranho a esse tipo de coisa. Quando fizemos a trilogia ‘Batman - O Cavaleiro das Trevas’, sabe, estávamos fazendo um filme para pessoas muito apaixonadas pelo personagem, que conheciam muito bem os quadrinhos, e também para pessoas que nunca abririam uma revista em quadrinhos na vida. Não é totalmente diferente.”
P: Para a maioria das pessoas, quando leem “A Odisséia” ou assistem a “A Odisséia”, ela meio que fica gravada na cabeça. O que você acha do fato de que sua versão vai ficar na cabeça de pessoas que nunca tiveram contato com a obra?
Nolan: “Você tenta ser fiel ao espírito da obra e, ao mesmo tempo, acrescentar algo a ela. Você tenta contribuir com um pouco mais para a discussão sobre o que ‘A Odisséia’ representa. Essa discussão cultural já vem ocorrendo há 3.000 anos. Então, você espera acrescentar algo a ela da mesma forma que fez com o personagem do Batman, por exemplo. ... Na época, eram 75 anos de história, história dos quadrinhos. E tentamos acrescentar um toque especial ao personagem, dar continuidade ao que veio antes e, com sorte, ser lembrados depois.”
P: Como você vai relaxar depois disso?
Nolan: “Acho que umas férias estão na ordem das coisas. Talvez não em um barco, eu diria. Já tive minha cota de barcos por um tempo.
Na verdade, estou animado para apresentar o filme ao público. Para mim, um filme não está concluído até que o público diga o que ele é. Estou muito nervoso, mas animado para a estreia do filme, e depois vamos dar uma respirada.”
(Reportagem de Lisa Richwine)



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