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Comércio da UE com EUA atinge nível recorde, apesar das tensões tarifárias, mostra estudo

Reuters
Comércio da UE com EUA atinge nível recorde, apesar das tensões tarifárias, mostra estudo
Comércio da UE com EUA atinge nível recorde, apesar das tensões tarifárias, mostra estudo

Por Maria Martinez e Rene Wagner

BERLIM, 3 Jul (Reuters) - O comércio de bens entre a União Europeia e os Estados Unidos atingiu um recorde de 875 bilhões de euros (US$1 trilhão) no ano passado, apesar das tarifas, mas os números ocultam prejuízos econômicos significativos, principalmente para o setor automotivo alemão, segundo um estudo publicado nesta sexta-feira.

A pesquisa realizada pelo Instituto Econômico Alemão (IW) constatou um aumento de 7,7% nas exportações da UE para os EUA, chegando a 580 bilhões de euros, enquanto as importações dos EUA para a UE subiram 2,2%, para 295 bilhões de euros, elevando o superávit comercial da UE para quase 285 bilhões de euros.

O relatório atribuiu parte do aumento à antecipação das exportações antes da entrada em vigor das tarifas comerciais impostas pelos EUA, em abril, e afirmou que o setor manufatureiro europeu foi afetado.

“Essa primeira impressão é enganosa”, disse a economista do IW, Samina Sultan.

As exportações de automóveis e peças da UE para os EUA caíram 20,4% em 2025, com a Alemanha — responsável por quase dois terços das exportações automotivas da UE para os Estados Unidos — registrando uma queda de 18,9%.

A Irlanda contrariou a tendência com um aumento de 52,7% nas exportações, impulsionado por produtos farmacêuticos e químicos isentos de tarifas.

A maioria dos Estados-membros da UE registrou um declínio em suas exportações de bens para os EUA. Além da Irlanda, apenas a República Tcheca (+5,1%), a Itália (+7,2%), a Dinamarca (+10,6%) e a Finlândia (+10,8%) registraram crescimento.

SERVIÇOS TRANSATLÂNTICOS TAMBÉM ATINGIRAM RECORDE

O comércio transatlântico de serviços também atingiu um recorde de 865 bilhões de euros, embora a UE tenha registrado um déficit de 178 bilhões de euros nessa categoria.

“A relação comercial transatlântica é, portanto, muito mais equilibrada, quando se consideram tanto o comércio de bens quanto o de serviços”, afirmou o estudo, contrastando o déficit da UE em serviços com o superávit em bens.

As taxas de propriedade intelectual — que abrangem licenças de software, patentes e marcas registradas — representaram mais de 40% das importações de serviços da UE provenientes dos EUA, registrando um aumento de 13,7%.

Embora o setor de serviços tenha, até o momento, evitado o impacto das tarifas dos EUA, o conflito comercial teve um efeito negativo.

As importações da UE de serviços de viagens provenientes dos EUA caíram cerca de 8%. “Essa queda provavelmente se deve à redução do número de turistas europeus nos EUA no ano passado”, afirmou a coautora do estudo Galina Kolev-Schaefer.

O estudo indicou que o acordo comercial Turnberry entre a UE e os EUA beneficiou assimetricamente os EUA, mas ainda assim foi uma solução viável que deve ser honrada por ambas as partes.

“Novas ameaças tarifárias causariam nova incerteza, o que apenas prejudicaria as atividades comerciais em ambos os lados do Atlântico”, afirmou o IW.

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