PORT-AU-PRINCE, 16 Abr (Reuters) - É esperado que quase 6 milhões de pessoas no Haiti enfrentem insegurança alimentar aguda nos próximos meses, ressaltando como a violência das gangues, o deslocamento em massa e a pressão econômica estão mantendo o país caribenho sob o domínio de uma crise humanitária cada vez mais profunda, de acordo com uma nova avaliação publicada nesta quinta-feira.
Cerca de 5,8 milhões de haitianos — mais da metade da população — enfrentam insegurança alimentar aguda, informou a Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês). Mais de 1,8 milhão deles estão na fase de emergência e precisam urgentemente de assistência alimentar.
A crise foi acentuada pelo agravamento da insegurança, choques econômicos e repetidas turbulências nos mercados e na agricultura, segundo o relatório. Os grupos armados expandiram seu controle em algumas partes do país, enquanto mais de 1,4 milhão de pessoas foram deslocadas, prejudicando o fornecimento de alimentos e empurrando as famílias vulneráveis ainda mais para a fome.
A última projeção do IPC está um pouco abaixo de uma estimativa anterior de 5,91 milhões de pessoas que enfrentam insegurança alimentar aguda, e o número na categoria de emergência também diminuiu, melhorias que as agências associaram, em parte, à assistência alimentar, à redução da inflação e às melhores condições de colheita em algumas áreas.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) afirmou que a ajuda alimentar contínua ajudou cerca de 200.000 haitianos a sair dos níveis emergenciais de fome desde o ano passado, mas os grupos de ajuda disseram que alguns ganhos recentes eram frágeis.
"O combate à fome é essencial para restaurar a estabilidade no Haiti. Não podemos construir a paz se as famílias não puderem alimentar seus filhos", disse o diretor nacional do PMA no Haiti, Wanja Kaaria, em um comunicado.
As agências humanitárias advertiram que as condições poderiam se deteriorar novamente sem mais apoio, citando o aumento nos preços globais dos combustíveis causado pela guerra contra o Irã, que sobrecarregou ainda mais os custos de transporte e produção agrícola.
(Reportagem de Harold Isaac)



