Por Rohith Nair
6 Ago (Reuters) - É improvável que a tentativa da Fifa de superar a maior crise interna do mandato de Gianni Infantino ponha fim ao escrutínio sobre a forma como o futebol mundial é governado, já que persistem dúvidas sobre se as reformas prometidas levarão a mudanças significativas antes da eleição presidencial de 2027.
Um dia após a liderança da Fifa se reunir em Rabat para reafirmar publicamente o apoio a Infantino, a entidade pediu desculpas aos seus 211 membros pelos erros relacionados à proposta abandonada de vender uma parcela do futuro comercial da Copa do Mundo.
A Fifa também se comprometeu a revisar os processos que levaram à controvérsia que desencadeou a revolta mais acirrada do mandato de Infantino, depois que federações nacionais reclamaram terem sido marginalizadas.
Em comunicado divulgado após a reunião de quarta-feira, a Fifa reconheceu que a proposta “deveria ter sido tratada de maneira diferente” e afirmou que não era sua intenção que o Comitê da Fifa ou as federações se sentissem excluídos do processo.
REVISÃO DA FIFA
À medida que a poeira assenta, será realizada uma revisão antes que um relatório seja apresentado ao Comitê em sua próxima reunião, e o tom conciliatório marcou um contraste gritante com as críticas cada vez mais públicas que forçaram a Fifa a recuar.
No entanto, a Fifa não pode mais se esquivar das questões levantadas por várias confederações, ligas e federações nacionais sobre como importantes decisões estratégicas são tomadas e comunicadas, e as preocupações vão além da proposta fracassada sobre direitos comerciais.
A associação de ligas europeias criticou a Fifa pelo que descreveu como um prazo de avaliação irrealisticamente curto de quatro semanas sobre uma proposta separada para expandir a Copa do Mundo de 2030 de 48 para 64 seleções.
O órgão, que representa mais de 1.300 clubes europeus, reforçou as reclamações de que, com muita frequência, as partes interessadas são simplesmente informadas das decisões, em vez de serem consultadas sobre elas.
No entanto, a Fifa insiste que todas as medidas tomadas em relação à proposta de direitos comerciais estavam em conformidade com seus regulamentos e ressaltou que os erros estavam relacionados ao processo e à comunicação, e não a violações das regras de governança.
A Fifa também tentou apresentar uma frente unida, alertando os críticos de que, com o projeto agora abandonado, ela “não toleraria mais quaisquer ataques à sua integridade, boa governança e devido processo”.
REPERCUSSÕES POLÍTICAS
Para Infantino, a prioridade imediata tem sido conter as repercussões políticas antes da eleição presidencial de março no Marrocos, onde ele buscará um quarto mandato até 2031.
A reunião de quarta-feira cumpriu esse objetivo, com a diretoria da Fifa e o secretário-geral Mattias Grafstrom endossando publicamente o presidente, enquanto Infantino retribuiu o apoio elogiando o trabalho da administração.
Grafstrom havia enviado um memorando interno aos funcionários lamentando a “série de eventos tristes e repreensíveis” e, embora não tenha mencionado Infantino pelo nome, observou que “indivíduos, momentos de instabilidade e episódios infelizes vêm e vão”.
Qualquer sugestão de tensões remanescentes, no entanto, parece ter sido deixada de lado publicamente, com Infantino postando posteriormente uma foto dos dois sorrindo para a câmera e mostrando o polegar para cima durante uma partida da Copa Africana das Nações Feminina, em Rabat.
Mas várias partes interessadas influentes, incluindo a Uefa, órgão que rege o futebol europeu, questionaram abertamente a liderança de Infantino, enquanto críticas também surgiram de confederações como a Concacaf, que administra o esporte na América do Norte, América Central e Caribe, e a Confederação Asiática de Futebol.



Aviso