Por Miranda Murray
CANNES, FRANÇA, 12 Mai (Reuters) - O Festival de Cinema de Cannes começou oficialmente na noite desta terça-feira com um tom mais contido do que nas edições anteriores, com menos celebridades de primeira linha de Hollywood no tapete vermelho e a política em grande parte ausente dos discursos da cerimônia de abertura.
Elijah Wood caminhou pelo tapete antes de apresentar o diretor de "O Senhor dos Anéis", Peter Jackson, com uma Palma de Ouro honorária pelo conjunto da obra. Entre os outros presentes estavam a modelo Heidi Klum, a lendária atriz Joan Collins e a estrela do cinema indiano Alia Bhatt.
O júri deste ano, que incluiu os atores indicados ao Oscar Demi Moore e Stellan Skarsgard, também passou pelo tapete vermelho do luxuoso Grand Lumiere Theatre, de 2.300 lugares, antes da exibição do filme de abertura "The Electric Kiss", uma comédia romântica em francês.
APOSTA VALEU A PENA
Jackson, de 64 anos, relembrou como levou um clipe de seu primeiro filme de "O Senhor dos Anéis" para Cannes há 25 anos, em uma tentativa de conquistar um público cético em relação à decisão de filmar toda a trilogia simultaneamente.
"Foi uma grande aposta", lembrou.
A ousadia valeu a pena, com a série -- aclamada pela crítica e de grande sucesso comercial -- ganhando 17 Oscars e faturando quase US$3 bilhões.
"A Palma de Ouro é algo que eu nunca pensei que ganharia, porque não faço filmes do tipo Palma de Ouro", disse.
Wood, que tinha apenas 18 anos quando as gravações do primeiro filme de "O Senhor dos Anéis" começaram, recordou que o dia em que soube que conseguiu o papel principal de Frodo dividiu sua vida em um antes e um depois.
"Estou longe de ser a única pessoa cuja vida foi mudada por Peter Jackson", acrescentou.
POLÍTICA
Nem Jackson nem Wood falaram sobre política. O homenageado do ano passado, o ícone de Hollywood Robert De Niro, usou seu discurso para pedir protestos contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O único aceno político veio de Jane Fonda, a atriz e ativista norte-americana de longa data, e Gong Li, uma das atrizes mais conhecidas da China. As duas subiram ao palco para declarar o festival oficialmente aberto.
"Jane vem do Ocidente, eu venho do Oriente. Nesta noite estamos juntas aqui. Esta é a magia de Cannes", disse Gong.
Fonda usou seu tempo no palco para celebrar o cinema como um ato de resistência.
"Acredito no poder das vozes, vozes na tela, vozes fora da tela e, certamente, vozes nas ruas, especialmente agora", disse ela, sob aplausos. "Vamos celebrar a audácia, a liberdade e o ato feroz da criação".
(Reportagem de Miranda Murray)




Aviso