Por Gabriel Araujo
KANSAS CITY, Missouri, 2 Jul (Reuters) - Os torcedores da Copa do Mundo que se dirigem ao estádio de Kansas City se deparam, logo do outro lado do estacionamento, com uma lembrança inconfundível de uma tradição esportiva dos Estados Unidos: o Kauffman Stadium, casa do time de beisebol Kansas City Royals, da MLB.
Com a Copa do Mundo atraindo multidões de todo o mundo, a MLB se destacou como a única grande liga dos EUA em temporada durante todo o Mundial de futebol, oferecendo aos torcedores visitantes uma amostra da cultura esportiva local.
As equipes de beisebol estão ansiosas para aproveitar o momento, mesmo que transformar o aumento repentino de interesse gerado pela Copa do Mundo em torcida duradoura possa ser um desafio em um esporte com um ritmo muito diferente do futebol.
“Queremos abrir nossas portas para o mundo”, disse à Reuters o presidente de operações comerciais do Royals, Cullen Maxey.
“Compartilhamos o estacionamento, então, naturalmente, devemos aproveitar um pouco essa oportunidade e convidar as pessoas para os jogos do Royals”, disse ele. “Acreditamos que isso oferece a todos uma oportunidade realmente única de ter um gostinho dos Estados Unidos.”
Com as finais do basquete e do hóquei no gelo chegando ao fim justamente quando a Copa do Mundo começou, e a temporada do futebol americano só começando em setembro, o beisebol tem sido a melhor maneira para os fãs de futebol e os membros das seleções experimentarem os esportes dos EUA.
Todas as 11 cidades-sede da Copa do Mundo nos EUA têm times da MLB, e Kansas City se tornou um exemplo claro dessa integração.
JOGADORES, TÉCNICOS E TORCEDORES VISITAM OS ESTÁDIOS DE BEISEBOL
O capitão da Inglaterra, Harry Kane, e vários de seus companheiros de equipe assistiram a um jogo dos Royals durante a fase de grupos, com o técnico Thomas Tuchel fazendo o arremesso cerimonial de abertura.
“Ele fez um arremesso muito bom. Eu diria que ele tem futuro no beisebol, se quiser”, brincou Maxey.
“Foi incrível para todos tê-los aqui e fazer parte do nosso jogo. Acho que o que os jogadores da Inglaterra mais gostaram foi conversar com nossos jogadores. Eles são atletas profissionais, estão no auge de suas carreiras, então esses relacionamentos provavelmente significam mais para eles do que qualquer outra coisa”, acrescentou.
Kane, mais acostumado a marcar gols do que a assistir aos longos jogos de beisebol, reconheceu o apelo do esporte, dizendo que, embora não acompanhe a temporada regular de perto, gosta do esporte e já esteve em alguns estádios.
Os Royals não foram os únicos.
Em Nova York, torcedores noruegueses marcaram presença em um jogo dos Mets.
Em Boston, quase 1.000 torcedores alemães assistiram a uma partida entre o Red Sox e o New York Yankees, dias depois de torcedores escoceses terem trocado o futebol pelo beisebol na mesma cidade, marchando até o Fenway Park e comemorando ao lado dos torcedores do Red Sox.
Os escoceses também assistiram a um jogo do Miami Marlins na Flórida.
ATRAÇÃO DURADOURA?
Para muitos visitantes, no entanto, a atração é tanto cultural quanto esportiva, o que aponta para o desafio que a MLB enfrenta ao transformar uma visita pontual em interesse duradouro.
O ex-jogador do Chicago White Sox e do Miami Marlins André Rienzo -- o primeiro jogador nascido no Brasil a atuar como arremessador na MLB --, disse que o apelo do beisebol nem sempre é imediatamente óbvio em países obcecados por futebol, como o seu.
“Se você ler um livro sobre as regras, não vai entender nada”, disse Rienzo à Reuters. “Você precisa ir ao jogo, estar com alguém, entender jogada por jogada.”
Presente em um jogo dos Royals, Javier Lanza, nascido na Argentina, disse que sua visita tinha mais a ver com a experiência do que com o jogo em si, admitindo que, embora ele entendesse o esporte, muitos de seus amigos que iam aos estádios não entendiam.
Seu compatriota Giuliano Jorge acrescentou: “Prefiro a NBA, mas o importante é a experiência. Eu nunca tinha ido (a um jogo de beisebol) antes e, já que estou nos EUA, não podia deixar passar a chance de vir.”
Rienzo disse que os novatos deveriam tentar enxergar além do ritmo mais lento, que a princípio pode desanimar os torcedores acostumados à ação quase constante do futebol, aproveitando a atmosfera e dando uma chance ao jogo, mesmo que pareça chato no começo.
Maxey parecia convencido de que o interesse poderia se manter à medida que os fãs de futebol se familiarizassem mais com o esporte.
“É um ambiente acolhedor”, disse o executivo do Royals. “Se você não conhece o futebol, não entende a beleza do esporte. Se você não conhece o beisebol, não entende a beleza do esporte.”
(Reportagem de Gabriel Araujo, Iain Axon e Sebastian Rocandio)



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