Por Eliana Raszewski
BUENOS AIRES, 23 Jun (Reuters) - As vendas de gás natural da Argentina ao Brasil poderiam aumentar durante a primavera do Hemisfério Sul devido ao fenômeno climático El Niño, afirmou à Reuters um representante da Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (OLACDE).
Um El Niño intenso aumentaria a frequência e a intensidade das chuvas na Argentina, permitindo maior aproveitamento das usinas hidrelétricas. No oeste do Brasil, no entanto, o fenômeno causaria seca, exigindo mais gás natural para gerar energia nas usinas termelétricas.
“É provável que o Brasil tenha uma maior necessidade de gás natural e que a Argentina, devido ao impacto do El Niño no rio Paraná, possa ter excedentes exportáveis”, disse Guido Maiulini, chefe de assessoria estratégica, à Reuters na sexta-feira.
A OLACDE é uma organização regional composta por 27 países.
Maiulini não estimou em quanto as vendas de gás -- atualmente realizadas de forma pontual -- poderiam aumentar. No ano passado, a Argentina, pela primeira vez, exportou gás de sua formação de xisto de Vaca Muerta para o Brasil por meio de gasodutos bolivianos.
MERCADO REGIONAL DE GÁS
A Argentina está desenvolvendo Vaca Muerta, no oeste do país, que possui a segunda maior reserva de gás não convencional e a quarta maior reserva de petróleo do mundo.
De acordo com a OLACDE, é possível uma maior integração regional do gás, devido aos recursos não convencionais de Vaca Muerta e à demanda não atendida em alguns mercados.
Mas a expansão do comércio regional poderia exigir um investimento de US$18 bilhões em infraestrutura no Brasil, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia e Argentina, estima a OLACDE. Isso inclui um gasoduto da província argentina de Santa Fé até Porto Alegre, no Brasil, e modificações em um gasoduto da Argentina para a Bolívia.
A Argentina está negociando novos acordos de exportação de gás com o Brasil utilizando gasodutos na Bolívia, disse Maiulini.
(Reportagem de Eliana Raszewski; Redação de Leila Miller)




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