Por Jason Lange e Nolan D. McCaskill
WASHINGTON, 9 Jun (Reuters) - Poucos norte-americanos abandonariam o candidato de seu partido por causa de controvérsias como a tatuagem com ligações nazistas do democrata Graham Platner, no Maine, ou a acusação de fraude contra o republicano Ken Paxton, no Texas, de acordo com uma nova pesquisa da Reuters/Ipsos, que evidencia as profundas divisões partidárias que tornam a vitória eleitoral crucial.
Dois terços dos entrevistados alinhados a um partido afirmaram que, às vezes, precisam votar em um candidato de quem não gostam apenas para impedir que o outro partido chegue ao poder, de acordo com a pesquisa realizada ao longo de seis dias e concluída na segunda-feira.
Esse princípio será posto à prova em eleições primárias do Maine nesta terça-feira, quando o produtor de ostras democrata Platner espera se tornar candidato a uma vaga no Senado considerada crucial para as esperanças dos democratas de conquistar a maioria naquela câmara em novembro.
Em uma pesquisa nacional, apenas 17% dos democratas que conhecem Platner disseram que sua tatuagem de uma caveira com ossos cruzados no estilo nazista os impediria de votar nele se pudessem votar na eleição do Maine.
A mesma porcentagem de republicanos em todo o país disse que se absteria de votar no procurador-geral do Texas, Paxton, que foi indiciado há uma década sob a acusação de fraudar investidores, se pudessem votar na eleição para o Senado do Estado em novembro.
Qualquer uma das eleições pode ajudar a determinar qual partido controla o Senado, onde os republicanos detêm atualmente uma maioria de 53 a 47. As campanhas de Platner e Paxton não responderam aos pedidos de comentário.
A pesquisa reuniu respostas de 4.531 adultos dos EUA em todo o país, incluindo 546 democratas familiarizados com Platner e 712 republicanos familiarizados com Paxton. Ela teve uma margem de erro de 2 pontos percentuais para os entrevistados em geral e de 4 pontos para republicanos e democratas familiarizados com os dois candidatos.
MENOR DE DOIS MALES
Cerca de 76% dos entrevistados, incluindo proporções semelhantes de democratas e republicanos, disseram que muitas vezes tiveram que votar no menor dos dois males nas eleições dos EUA.
Platner pediu desculpas pela tatuagem no peito, que, segundo ele, fez enquanto bebia com pares fuzileiros navais há quase duas décadas. Ele disse que não sabia que o desenho da tatuagem estava associado aos nazistas e a cobriu com outra tatuagem no ano passado, após lançar sua campanha.
A pesquisa Reuters/Ipsos foi realizada em meio a um escrutínio cada vez maior sobre Platner, incluindo relatos de que ele trocou mensagens sexualmente explícitas com mulheres enquanto era casado. Platner pediu desculpas publicamente pelas mensagens de texto, ao mesmo tempo em que classificou as reportagens sobre elas e outros comportamentos passados como politicamente motivadas.
Apesar das controvérsias, Platner é visto como um forte candidato a derrotar a senadora republicana Susan Collins. Platner tem feito campanha com uma mensagem populista de que o Maine se tornou inacessível para a classe trabalhadora, e conquistou o apoio de aliados de peso, incluindo Chuck Schumer, um moderado e o principal democrata no Senado, e Bernie Sanders, um senador independente progressista que faz parte da bancada democrata.
A ascensão de Platner reflete o aumento da polarização política nos Estados Unidos, com os eleitores sentindo que “precisam apenas se concentrar em não colocar o outro lado no poder”, disse Mia Costa, cientista política da Dartmouth College que estuda psicologia política e partidarismo.
Embora Paxton tenha triunfado nas primárias estaduais após receber o apoio do presidente Donald Trump, ele enfrentará um adversário difícil nas eleições gerais: o democrata James Talarico.
Após sua acusação, Paxton sofreu um processo de impeachment na Câmara do Texas e, no ano passado, sua esposa pediu o divórcio com base em motivos bíblicos. Ele negou todas as acusações e afirma que as alegações contra ele têm motivação política.
Um fator imprevisível nas disputas tanto no Maine quanto no Texas será o poder dos eleitores independentes. Seis em cada dez entrevistados que se descreveram como não filiados a nenhum dos partidos disseram que seu voto provavelmente refletirá seu apoio ao candidato na cédula.




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