Por Julien Pretot
PARIS, 2 de junho (Reuters) - Para Didier Deschamps, técnico da seleção francesa, a Copa do Mundo de 2026 não é apenas mais um torneio, mas o capítulo final de um dos trabalhos mais bem-sucedidos do futebol internacional.
Deschamps confirmou que deixará o cargo após a competição nos Estados Unidos, Canadá e México, encerrando uma gestão que começou em 2012.
Durante esse período, os Bleus se tornaram campeões mundiais em 2018, venceram a Liga das Nações em 2021 e chegaram à segunda final consecutiva da Copa do Mundo em 2022. Ele também foi o capitão da primeira conquista em 1998. O seu lugar na história do futebol francês está seguro.
O que resta definir é o tamanho da estátua.
Deschamps nunca foi universalmente amado na França. Seu estilo costuma ser descrito como pragmático, suas escalações, conservadoras, e seu instinto por controle às vezes está em descompasso com o talento ofensivo à disposição.
As críticas aumentaram após a Eurocopa de 2024, quando a França chegou às semifinais, mas pareceu se arrastar, sem fluidez e excessivamente dependente de momentos pontuais em vez de ritmo.
No entanto, a resposta de Deschamps sempre foi a mesma: as grandes competições têm a ver com sobrevivência, equilíbrio e vencer os momentos decisivos.
Poucos fizeram isso melhor.
MBAPPÉ, O PROTAGONISTA
A França inicia a Copa do Mundo deste ano com Kylian Mbappé no centro do projeto e um elenco que causa inveja à maioria dos adversários.
Jogadores como o vencedor da Bola de Ouro, Ousmane Dembélé, e seus colegas de Paris Saint-Germain, Désiré Doué e Bradley Barcola, conferem à França a imprevisibilidade que marcou a passagem de Deschamps.
Mike Maignan tem autoridade no gol, William Saliba, Ibrahima Konaté e Dayot Upamecano oferecem opções defensivas de elite, e Aurélien Tchouaméni e Adrien Rabiot levam força e controle ao meio-campo.
Mas esta campanha carrega uma carga emocional diferente, com o nome de Zinedine Zidane pairando como possível próximo técnico, um lembrete de que, mesmo antes da bola rolar, a França se prepara para a vida pós-Deschamps.
O sorteio também deu um toque especial à sua última missão.
A França está no Grupo I com Senegal, Noruega e Iraque, um grupo com uma história incômoda e perigo de verdade.
A vitória de Senegal por 1 a 0 sobre a então atual campeã França na partida de abertura da Copa do Mundo de 2002 continua sendo uma das grandes surpresas da história do torneio, e a Noruega chega com Erling Haaland e uma campanha classificatória que a restaurou como uma séria ameaça.
Para Deschamps, isso pode se encaixar na narrativa. Sua seleção francesa raramente precisou de romantismo para prosperar. Ela foi construída para lidar com pressão, para a tensão do mata-mata e a gestão fria de riscos. A questão é se essa fórmula ainda tem combustível no tanque.
Se a França ficar aquém do esperado, Deschamps ainda sairá como um personagem transformador que restaurou seu país como uma potência permanente da Copa do Mundo. Mas se ele conquistar o título novamente, o técnico de 57 anos irá além de ser um ídolo nacional para algo mais próximo da imortalidade do futebol, mesmo que sua equipe nunca tenha vencido a Eurocopa, tendo sido derrotada na final em casa em 2016.
Esta é sua última dança e, pela primeira vez, nem mesmo Deschamps consegue fazer com que pareça rotina.
(Reportagem de Julien Pretot)



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