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Enviado do Conselho de Paz diz que plano para Gaza precisa avançar e que negociações com o Hamas "não são fáceis"

Reuters
Enviado do Conselho de Paz diz que plano para Gaza precisa avançar e que negociações com o Hamas "não são fáceis"
Enviado do Conselho de Paz diz que plano para Gaza precisa avançar e que negociações com o Hamas "não são fáceis"

Por Lili Bayer

BRUXELAS, 20 Abr (Reuters) - O principal enviado do Conselho de Paz para Gaza disse à Reuters nesta segunda-feira que estava "bastante otimista" de que um plano de desarmamento do Hamas e de outros grupos militantes em Gaza possa ser acordado, mas advertiu que isso ainda levará tempo.

"Tivemos algumas discussões muito sérias com o Hamas nas últimas semanas, e elas não são fáceis", disse Nickolay Mladenov em uma entrevista durante uma visita a Bruxelas.

"Estou bastante otimista de que seremos capazes de chegar a um acordo que funcione para todos os lados e, mais importante, que funcione para o povo de Gaza", disse ele.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propôs o Conselho de Paz em setembro para supervisionar seu plano para acabar com a guerra de Israel em Gaza, dizendo posteriormente que ele trataria de outros conflitos.

O Conselho de Segurança da ONU reconheceu o conselho, que é presidido por Trump, embora muitas grandes potências não tenham aderido.

O plano de Trump para Gaza, com o qual Israel e o Hamas concordaram em outubro, prevê a retirada das tropas israelenses de Gaza e o início da reconstrução à medida que o Hamas abandone suas armas.

Mas o desarmamento do Hamas é um ponto de atrito nas negociações para implementar o plano e consolidar o cessar-fogo de outubro que interrompeu dois anos de guerra total. A violência tem continuado no território palestino, grande parte do qual permanece em ruínas.

RISCO DE PERDER IMPULSO

Mladenov disse que o trabalho estava em andamento em um plano de implementação que incluiria desarmamento, nova governança em Gaza e disposições para uma retirada israelense.

"Obviamente, isso levará tempo, mas estamos tentando garantir que as providências para a implementação do plano sejam acordadas o mais rápido possível", disse Mladenov, ex-enviado da ONU para o Oriente Médio e político búlgaro.

Perguntado sobre quando seria possível chegar a um acordo sobre a implementação, Mladenov disse: "Temos uma questão de dias, no máximo duas semanas, essa é minha avaliação, porque, caso contrário, perderemos o impulso do que temos e, então, cada decisão se tornará ainda mais difícil".

Embora tenha se recusado a comentar os detalhes das negociações em andamento, o enviado disse acreditar que há "um bom caminho a seguir que está sendo discutido com ambos os lados".

Uma das questões em discussão é a "linha amarela" que demarca o território que Israel ocupou desde o cessar-fogo de outubro, disse Mladenov. A Reuters informou que Israel moveu a "linha amarela" mais para dentro de Gaza.

"Há todo um conjunto de questões que precisam ser tratadas no local, inclusive a linha amarela", disse Mladenov, acrescentando que questões como o acesso à ajuda e aos medicamentos também estão sendo discutidas com Israel.

NECESSIDADE DE GARANTIR CONFIANÇA NA PASSAGEM DE RAFAH

Ele também apontou algumas mudanças no terreno.

"Conseguimos, nos últimos dias, aumentar gradualmente e com muito cuidado o número de pessoas que têm permissão para atravessar a passagem de Rafah. Estamos procurando aumentar o número de caminhões de mercadorias que entram em Gaza", disse ele. A passagem de Rafah liga Gaza ao Egito.

Também é necessário criar confiança, disse Mladenov.

"É um processo muito complicado", disse ele. "Mas é um processo que está dando muitos pequenos passos para nos levar, em última instância, a um acordo sobre a implementação total do plano".

Em fevereiro, Trump disse que os aliados dos EUA contribuíram com mais de US$7 bilhões para os esforços de socorro em Gaza e que os EUA contribuirão com US$10 bilhões para o Conselho de Paz. A Reuters informou que o Conselho de Paz recebeu apenas uma fração do que foi prometido.

"Todas as verbas que foram comprometidas em Washington estão lá para o Conselho de Paz", disse Mladenov. "Não temos nenhum problema financeiro relacionado ao trabalho do Conselho".

Os Estados-membros podem se tornar membros permanentes do Conselho pagando US$1 bilhão.

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