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Ex-primeiro-ministro do Nepal é preso por mortes durante protestos da Geração Z

Por Gopal Sharma

KATMANDU, 28 Mar (Reuters) - O ex-primeiro-ministro do Nepal KP Sharma Oli foi preso neste sábado, enquanto a polícia investiga se ele foi negligente ao não impedir dezenas de mortes durante a repressão aos protestos anticorrupção liderados pela Geração Z em setembro do ano passado, disseram autoridades.

A prisão de Oli, que seu advogado considerou ilegal e provocou protestos de seus apoiadores, que entraram em confronto com a polícia, ocorreu após a posse do rapper e político Balendra Shah como primeiro-ministro na sexta-feira e a recomendação de um painel que investigava a violência durante os protestos de que ele fosse processado por negligência.

Seu ex-ministro do Interior Ramesh Lekhak também foi preso.

Setenta e seis pessoas foram mortas em setembro do ano passado durante uma repressão policial, incêndios criminosos e distúrbios violentos durante os protestos, o que levou à renúncia de Oli.

Após sua prisão neste sábado, apoiadores realizaram protestos e entraram em confronto com a polícia, que tentou impedi-los de queimar pneus perto do gabinete do primeiro-ministro. A polícia lançou uma bomba de gás lacrimogêneo e usou cassetetes para dispersar os protestos, ferindo uma pessoa, segundo testemunhas.

O Partido Comunista do Nepal de Oli (Marxista-Leninista Unificado) classificou sua prisão como ilegal e afirmou que se tratava de um ato de "vingança". O partido exigiu sua libertação imediata e informou que mais protestos estavam planejados para domingo.

Shankar Pokhrel, uma autoridade de alto escalão do partido, disse a repórteres que notas de protesto contra a prisão seriam entregues ao governo em todos os 77 distritos do país no domingo.

O Ministro do Interior, Sudan Gurung, rejeitou as críticas. "Este é o começo da justiça. O país tomará um novo rumo agora", afirmou no Facebook.

DERROTA ELEITORAL

Oli foi primeiro-ministro quatro vezes entre 2015 e 2025, mas nunca cumpriu um mandato completo de cinco anos. Em 2020, ele publicou um novo mapa político que incluía uma pequena faixa de terra disputada controlada pela Índia, o que lhe deu um impulso de popularidade no Nepal.

Mas sua popularidade não durou, e ele foi derrotado por Shah em seu próprio distrito eleitoral nas eleições deste mês, sua segunda derrota desde a restauração da democracia multipartidária em 1990. A indignação com as mortes nos protestos de setembro ajudou o Partido Rastriya Swatantra de Shah a registrar uma vitória esmagadora na eleição.

O painel que investigou a violência de setembro do ano passado responsabilizou Oli e Lekhak por não terem tomado nenhuma providência para impedir horas de disparos da polícia contra os manifestantes.

O porta-voz da polícia, Om Adhikari, disse que Oli e Lekhak seriam levados ao tribunal no domingo.

Oli, de 74 anos, que já passou por dois transplantes de rim, foi transferido da delegacia de polícia para onde foi levado inicialmente para um hospital, disseram testemunhas.

Seu advogado, Tikaram Bhattarai, disse à Reuters que a prisão era injustificada e que seria contestada na Suprema Corte.

"Disseram que a prisão é para fins de investigação. É ilegal e imprópria, pois não há risco de ele fugir ou se esquivar do interrogatório", afirmou.

Não foi possível contatar imediatamente Lekhak e seu advogado para comentar o assunto.

(Reportagem de Gopal Sharma)

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