Por Sam Tobin e Rohith Nair
SEATTLE, 25 de junho (Reuters) - Torcedores poderão levar bandeiras do arco-íris para o confronto entre Egito e Irã pela Copa do Mundo em Seattle, designado como a "Partida do Orgulho LGBTQ", disse a Fifa nesta quinta-feira, reiterando os comentários dos organizadores locais de que o símbolo representa os direitos humanos, apesar de protestos dos dois países envolvidos.
A partida desta sexta-feira pelo Grupo G, durante o fim de semana do Orgulho LGBTQ, foi batizada de “Pride Match” pelo comitê organizador local de Seattle antes do sorteio de dezembro, que selecionou os dois países de maioria muçulmana onde a homossexualidade é criminalizada.
O Egito e o Irã se opuseram após o sorteio. A Federação Egípcia de Futebol afirmou que tais eventos entravam em conflito com seus valores culturais e religiosos.
Na quarta-feira, o site The Athletic citou a Federação Iraniana de Futebol dizendo: “Nenhuma cerimônia ou atividade promocional associada a esse movimento deve ocorrer dentro do estádio.” Um porta-voz da federação não respondeu aos pedidos de comentário da Reuters.
A Fifa, no entanto, afirmou que a Copa do Mundo é “um evento inclusivo que acolhe pessoas de todas as origens” e que bandeiras do arco-íris são permitidas no estádio.
“Manifestações gerais de direitos humanos, incluindo bandeiras do arco-íris e outras bandeiras que representam orientação sexual e identidade de gênero, são permitidas... e podem ser exibidas dentro dos estádios”, afirmou a Fifa em comunicado divulgado nesta quinta-feira.
A Fifa enfatizou que as comemorações do Orgulho são organizadas pelo comitê local da Copa do Mundo de Seattle e não pela entidade global do futebol.
“Haverá uma partida da Copa do Mundo da Fifa em Seattle e, no mesmo dia, eventos organizados por organizações externas estarão ocorrendo na cidade”, disse o presidente da Fifa, Gianni Infantino, à revista suíça Die Weltwoche em janeiro. “Mas isso não tem nada a ver com a partida em si.”
Patti Hearn, diretora executiva do Seattle Pride, recebeu com satisfação a posição da Fifa, afirmando à Reuters que “se trata de uma bandeira de direitos humanos e é por isso que é permitida no estádio”.
“A bandeira do arco-íris ou qualquer uma das bandeiras do Orgulho são apenas um símbolo de inclusão, de comunidade, de amor – e isso realmente não é ofensivo”, disse.
Ela observou que as comemorações do Orgulho não foram aceitas pelo Egito e pelo Irã, mas acrescentou: “Existem pessoas queer em todos os lugares e acho que, se pudermos oferecer a oportunidade para que o mundo veja e experimente como é estar em um lugar acolhedor e inclusivo... acho isso ótimo.”
Bookda Gheisar, diretora de DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão) do Porto de Seattle, que se descreveu como lésbica iraniano-americana, concordou com os comentários de Hearn.
Gheisar disse que havia uma contradição no fato de o Egito e o Irã estarem envolvidos no jogo no fim de semana do Orgulho, mas que “o desafio dessa contradição tem sido uma luta na minha própria vida pessoal há 40 anos”.
“Certamente não estou sozinha nisso”, acrescentou.
Os organizadores de Seattle veem a atenção gerada por essa partida como uma plataforma para promover a aceitação.
“A celebração do Orgulho... acontece neste fim de semana há mais de 50 anos”, disse Hedda McLendon, do comitê organizador local da Copa do Mundo de Seattle, à Reuters no início desta semana.
“Ela vai acontecer neste fim de semana e continuará acontecendo muito depois da Copa do Mundo.”
(Reportagem de Sam Tobin, em Seattle, e Rohith Nair, em Miami)



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