Por Miranda Murray e Hanna Rantala
CANNES, França, 11 Mai (Reuters) - Contos de guerra, luto e inteligência artificial se juntam à corrida pelo prêmio principal do Festival de Cinema de Cannes de 2026 a partir de terça-feira, em uma disputa deixada em aberto diante da ausência de concorrentes de grandes estúdios ou francos favoritos.
Plataforma tradicional para o lançamento de franquias de Hollywood como Indiana Jones e Top Gun, o prestigiado festival não contará com nenhum blockbuster neste ano, nem com os grandes desfiles no tapete vermelho, já que os estúdios, avessos ao risco, estão se tornando mais cautelosos.
Ainda haverá muitos nomes de peso em exibição -- entre eles Barbra Streisand, que receberá um prêmio por sua trajetória, e John Travolta, que fará sua estreia na direção.
"Contanto que o tempo se mantenha bom, acho que Cannes terá muito glamour. Cannes faz isso melhor do que qualquer outro lugar", disse à Reuters Scott Roxborough, correspondente europeu do The Hollywood Reporter.
Vinte e dois filmes concorrem à Palma de Ouro, prêmio a ser entregue na cerimônia de encerramento em 23 de maio, com grandes nomes do cinema independente na disputa, como Pedro Almodóvar e László Nemes.
"Não há um ou dois filmes que todos estejam esperando e ansiosos para ver, o que, de certa forma, torna tudo mais interessante, porque abre um leque de possibilidades", disse Roxborough.
O iraniano Asghar Farhadi e o japonês Ryusuke Hamaguchi, famoso pelo filme "Drive My Car", ambos têm dramas familiares em francês: "Parallel Tales", com Isabelle Huppert no papel de uma vizinha intrometida, e "All Of a Sudden", sobre cuidados com idosos, respectivamente.
Dos Estados Unidos, "Paper Tiger", dirigido por James Gray, reunirá Scarlett Johansson e Adam Driver após "História de um Casamento" de 2019, enquanto Rami Malek estrela um drama sobre HIV/AIDS na Nova York dos anos 1980 em "O Homem que Eu Amo", de Ira Sachs.
Dois vencedores anteriores -- o romeno Cristian Mungiu e o japonês Hirokazu Kore-eda -- estão na disputa por uma segunda Palma de Ouro.
Kore-eda, que venceu com "Assunto de Família" em 2018, vai explorar o tema do luto e da inteligência artificial em "Sheep In The Box".
Mungiu retorna com "Fjord", um drama familiar ambientado em uma remota vila norueguesa, estrelado por Renate Reinsve e Sebastian Stan. Para o diretor romeno, a simples seleção já foi uma vitória.
"Esta seleção é a melhor recompensa que poderíamos receber pelos nossos esforços, já que Cannes é o lugar no mundo onde o cinema é mais respeitado", escreveu Mungiu no Instagram.
FOCO
A política está presente nas obras selecionadas deste ano, mas frequentemente através de lentes históricas, disse Roxborough, citando "Coward", de Lukas Dhont, um drama da época da Primeira Guerra Mundial sobre soldados, e "Moulin", de László Nemes, que se concentra na Resistência Francesa durante a ocupação nazista da França.
"Um Homem do Seu Tempo", do diretor francês Emmanuel Marre, também se passa na França de Vichy.
"É muito difícil para as pessoas fazerem declarações definitivas que não sejam imediatamente substituídas pelos acontecimentos", disse ele, acrescentando que os organizadores do festival continuam empenhados em manter o foco no cinema.
A ênfase é reiterada no filme de abertura, "O Beijo Elétrico", de Pierre Salvadori, uma comédia romântica ambientada na Paris do período entre guerras.
"À minha maneira, tento oferecer uma forma de poesia ou beleza", disse Salvadori à Reuters, descrevendo o filme como "uma ode à ficção" e ao próprio cinema.
(Reportagem de Miranda Murray e Hanna Rantala)



