Por Dominique Vidalon
PARIS, 22 Jul (Reuters) - A Galeria de Apolo do Museu do Louvre reabriu para os visitantes nesta quarta-feira sem nenhuma joia em exposição, nove meses após um ousado roubo das joias da coroa, avaliadas em US$102 milhões, ter revelado graves falhas de segurança no museu mais visitado do mundo.
Os visitantes podem mais uma vez admirar o interior ricamente decorado do Século 17 da Galeria de Apolo, um dos espaços históricos mais famosos do Louvre. No entanto, as joias serão exibidas em outro local do museu parisiense, em um local mais seguro, afirmou o diretor do Louvre, Christophe Leribault.
A galeria, criada durante o reinado do jovem Luís 14, serviu de inspiração para o deslumbrante Salão dos Espelhos de Versalhes. Ela foi projetada pelo arquiteto Louis Le Vau e decorada pelo pintor Charles Le Brun com o tema do Sol, em homenagem a Luís 14.
A ministra da Cultura, Catherine Pegard, saudou a reabertura da galeria como símbolo de um novo começo para o museu após o que ela descreveu como um “trauma para o mundo inteiro”, e se comprometeu a reforçar a segurança nos museus de todo o país.
Em outubro, dois homens estacionaram um elevador de carga do lado de fora do Louvre em plena luz do dia, subiram até o segundo andar, quebraram uma janela, arrombaram vitrines com esmirilhadeiras e, em seguida, fugiram na garupa de scooters conduzidas por dois cúmplices, em um assalto que durou menos de sete minutos.
Quatro pessoas suspeitas de envolvimento direto no roubo foram indiciadas e colocadas sob custódia.
No entanto, os itens roubados continuam desaparecidos, com exceção de uma coroa pertencente à imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão 3º, que foi encontrada danificada nas proximidades do museu e atualmente está passando por restauração.
Em fevereiro, Laurence des Cars, que dirigia o museu na época do roubo, renunciou após enfrentar críticas intensas sobre o roubo e greves contínuas relacionadas a salários e condições de trabalho.
Críticos, incluindo o órgão de auditoria do Estado, questionaram os baixos gastos do museu com segurança e manutenção de infraestrutura, enquanto ele fazia compras extravagantes de novas obras de arte — das quais apenas um quarto está aberto ao público — e gastava pesadamente em projetos de relançamento pós-pandemia.
(Reportagem de Dominique Vidalon)



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