16 Jun (Reuters) - O Hezbollah disse acreditar nesta terça-feira que o Irã não vai assinar um acordo nuclear definitivo com Washington a menos que Israel se retire do Líbano, enquanto o principal diplomata iraniano afirmou que a presença contínua de tropas israelenses no Líbano seria considerada uma violação do memorando de entendimento entre os EUA e o Irã.
Tropas israelenses ainda ocupam uma faixa de território no sul do Líbano que conquistaram durante sua campanha aérea e terrestre de três meses contra o Hezbollah, iniciada após o grupo apoiado pelo Irã atacar Israel em 2 de março em apoio a Teerã.
Os combates no Líbano diminuíram significativamente depois do memorando de entendimento entre o Irã e os EUA, mas não cessaram totalmente, e Israel afirmou que as tropas devem permanecer no sul do país.
O Hezbollah se opõe à ocupação contínua por parte de Israel. Nesta terça-feira, a assessoria de imprensa do grupo disse entender que o Irã deve exigir a retirada israelense como parte da próxima rodada de negociações entre os EUA e o Irã, prevista para começar após a assinatura formal do memorando de entendimento entre os dois países na próxima sexta-feira.
Essas negociações devem abordar questões delicadas, como o futuro do programa nuclear do Irã.
“Acreditamos que não haverá acordo nuclear entre o Irã e os Estados Unidos se Israel não se retirar”, disse a assessoria de imprensa do Hezbollah à Reuters, sendo esta a primeira vez que o grupo vincula a retirada de Israel a um possível acordo nuclear.
O grupo afirmou que a retirada israelense seria o resultado dessas negociações, e não uma pré-condição para elas. Também disse ter recebido garantias do Irã de que qualquer violação israelense do cessar-fogo no Líbano afetaria as próximas negociações.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta terça-feira que o fim da guerra regional deve incluir o fim do conflito no Líbano, incluindo “o fim da ocupação” de território libanês.
“Sem a retirada das forças israelenses dos territórios que ocuparam nesta guerra, não se alcançou o fim total da guerra”, disse ele.
Araqchi acrescentou que qualquer ataque israelense ao Líbano ou a ocupação contínua de território libanês “será, em nossa opinião, considerado uma violação do memorando de entendimento”.
(Reportagem de Maya Gebeily, em Beirute, e Parisa Hafezi, em Dubai)



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