Por Enas Alashray e Tala Ramadan e Kanishka Singh e Samia Nakhoul
CAIRO/WASHINGTON/BEIRUTE, 15 Jul (Reuters) - A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã ameaçou fechar “todos os outros corredores de exportação que beneficiem os EUA e seus aliados”, segundo a mídia iraniana, depois que o Irã fechou o Estreito de Ormuz e os EUA restabeleceram um bloqueio naval aos portos iranianos.
“As exportações regionais de energia são compartilhadas por todos ou negadas a todos”, afirmou a Guarda em comunicado divulgado pela agência de notícias estatal iraniana IRNA nesta quarta-feira.
Analistas afirmaram que o Irã vem sinalizando que pode usar seus aliados houthis no Iêmen para fechar a passagem de Bab el-Mandeb para o Mar Vermelho, abrindo uma nova frente contra Washington e colocando em risco duas das principais rotas de abastecimento energético do mundo.
O estreito canal liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, por onde passam as exportações de petróleo da Arábia Saudita e uma parcela substancial do transporte marítimo global.
Uma autoridade de alto escalão houthi advertiu na segunda-feira que o grupo estava preparado para fechar o Estreito de Bab el-Mandeb — uma medida que, segundo ele, poderia fazer os preços do petróleo dispararem para US$200 o barril — caso a Arábia Saudita continuasse a atacar o Iêmen, de acordo com uma reportagem no site da Press TV do Irã.
Forças houthis dispararam mísseis contra a Arábia Saudita após acusarem o reino de bombardear um aeroporto sob seu controle na segunda-feira, rompendo uma trégua de quatro anos no conflito entre o reino e o grupo alinhado ao Irã.
Os houthis já demonstraram que podem paralisar o comércio global através do Estreito de Bab el-Mandeb. Após o início da guerra de Gaza, em outubro de 2023, o grupo apoiado pelo Irã lançou ataques contra a navegação comercial no Mar Vermelho, afirmando que tinha como alvo embarcações ligadas a Israel, em apoio aos palestinos.
A mais recente ameaça à navegação global ocorre um dia depois que as Forças Armadas dos EUA anunciaram o início de uma nova rodada de ataques “para continuar a enfraquecer as capacidades iranianas utilizadas para atacar a navegação comercial no Estreito de Ormuz.”
Os Estados Unidos afirmaram que o Irã havia atacado sete navios comerciais na última semana, resultando em quase uma dúzia de tripulantes mortos, desaparecidos ou feridos.
As Forças Armadas dos EUA informaram na noite de terça-feira que atingiram dezenas de alvos militares próximos ao Estreito de Ormuz e em áreas costeiras iranianas. A onda de ataques durou sete horas, informou o Comando Central dos EUA em comunicado.
A porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, disse que pelo menos 30 civis foram mortos nos últimos dias devido aos ataques dos EUA ao sul do Irã, informou a mídia estatal nesta quarta-feira.
O exército iraniano informou que pelo menos sete militares da ativa e recrutas foram mortos nos ataques norte-americanos realizados durante a madrugada contra a base militar de Bampur, no sudeste do país.
'FIM DOS MALES DOS ESTADOS UNIDOS'
A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou na quarta-feira que o Estreito de Ormuz permaneceria fechado até o que descreveu como “o fim dos males dos Estados Unidos”. Antes do início da guerra, em fevereiro, cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás passava por Ormuz diariamente.
A Guarda afirmou ter atacado o que descreveu como instalações de comando e controle, logística, combustível e equipamentos militares pertencentes à Quinta Frota dos EUA no Barein, em resposta aos últimos ataques norte-americanos no Estreito de Ormuz.
Eles também afirmaram ter incendiado e destruído o que descreveram como uma instalação logística dos EUA em Mina Abdullah, no Kuweit, e que sua força aérea havia atacado o que descreveram como uma base dos EUA em Azraq, na Jordânia, tendo como alvo hangares de aeronaves. Eles afirmaram que alguns dos ataques dos EUA haviam sido lançados a partir de bases em território jordaniano.
Na manhã desta quarta-feira, a agência de notícias estatal do Kuweit informou que um incêndio havia sido controlado em um local alvo de ataques iranianos. Não ficou claro imediatamente se o incêndio ocorreu no mesmo local mencionado no comunicado do IRGC.
A defesa aérea da Jordânia interceptou e abateu três mísseis balísticos que entraram no espaço aéreo do país a partir do território iraniano na madrugada desta quarta-feira.
As hostilidades entre o Irã e os EUA se reacenderam na semana passada, abalando uma trégua já frágil alcançada em junho, após vários meses de combates que mataram milhares de pessoas.
TRUMP AMEAÇA ATACAR ALVOS DO SETOR DE ENERGIA
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou na terça-feira atacar usinas de energia e pontes iranianas na próxima semana, a menos que Teerã retome as negociações.
“Vou deixar os alvos do setor energético para o final, mas, no fim das contas, vamos atacá-los”, disse Trump em entrevista a Trey Yingst, da Fox News.
Os negociadores dos EUA estavam em contato com seus homólogos iranianos para dizer a eles “é melhor vocês chegarem a um acordo”, acrescentou Trump.
À medida que as tensões aumentavam, Trump sugeriu, na segunda-feira, a ideia de uma taxa de 20% sobre o transporte marítimo pelo estreito, o que gerou críticas contundentes da agência de navegação da ONU e de outros. Na terça-feira, ele descartou a ideia e disse, sem fornecer detalhes, que buscaria, em vez disso, acordos de investimento com os países do Golfo.
Os preços do petróleo subiam na quarta-feira, após fecharem com alta de 2% na terça-feira — atingindo a maior cotação em um mês —, à medida que os últimos ataques agravaram a interrupção no abastecimento no Estreito de Ormuz.
Pela segunda sessão consecutiva, o Brent fechou em seu maior nível desde 12 de junho e o West Texas Intermediate (WTI) em seu maior nível desde 15 de junho. Ambos os contratos se valorizavam ainda mais no início das negociações desta quarta-feira.
(Reportagem adicional das redações da Reuters)



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