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Irã rejeita proposta de Omã para administrar Estreito de Ormuz

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Irã rejeita proposta de Omã para administrar Estreito de Ormuz
Irã rejeita proposta de Omã para administrar Estreito de Ormuz

DUBAI/CAIRO, 29 Jul (Reuters) - Teerã descartou a proposta de Omã para uma gestão conjunta regional do Estreito de Ormuz, informou uma alta autoridade iraniana à Reuters nesta quarta-feira, frustrando as esperanças de uma solução para o impasse que vem obstruindo o comércio do Golfo há meses.

Omã propôs um novo acordo regional com o objetivo de resolver o conflito em torno do importante estreito, pelo qual circulava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes de os EUA e Israel atacarem o Irã em fevereiro.

No entanto, Teerã rejeitou a proposta de Omã para uma gestão conjunta regional do estreito, afirmando que a medida não tinha chances de ser bem-sucedida.

Os EUA e a Arábia Saudita estão tentando pressionar Omã para levar adiante seus “planos irrealistas” em relação ao estreito estratégico, disse a autoridade à Reuters. O Irã insistiu que toda a rota de entrada pelo estreito e parte da rota de saída devem estar sob controle iraniano, acrescentou a autoridade.

Um acordo de controle conjunto com Omã não atenderia aos interesses do Irã, embora Teerã considere Omã um vizinho valioso, disse a autoridade.

A Guarda Revolucionária Iraniana informou na quarta-feira que suas forças atacaram três petroleiros no estreito e os forçaram a parar depois que eles ignoraram avisos por seguirem uma “rota insegura e ilegal”.

A Marinha da Guarda declarou em comunicado que continuava mantendo controle total sobre a via navegável estratégica e advertiu que a “interferência militar ilegal dos EUA” e as instruções às embarcações na região não ficariam sem resposta.

A Reuters não conseguiu verificar imediatamente a versão da Guarda Revolucionária.

PREÇOS DO PETRÓLEO VOLTAM A SUBIR

Os preços do petróleo subiam mais de US$3 por barril na quarta-feira, à medida que os ataques se intensificaram mais uma vez.

Os EUA e a Arábia Saudita lançaram ataques contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque na quarta-feira, alegando que eles eram responsáveis por ataques com drones a instalações petrolíferas sauditas, o que levou o Irã a alertar que culpá-lo por tais ataques seria um “grande erro de cálculo”.

Os ataques dos EUA e da Arábia Saudita no leste do Iraque ocorreram poucas horas depois que as Forças Armadas dos EUA informaram que suas defesas aéreas haviam evitado um ataque surpresa do Irã contra tropas americanas na região. A Guarda Revolucionária afirmou na quarta-feira ter disparado vários mísseis balísticos contra instalações militares americanas na Jordânia.

As Forças Armadas da Jordânia informaram que suas defesas aéreas interceptaram e abateram cinco mísseis iranianos que tinham como alvo o reino na quarta-feira.

Os ataques recíprocos dos últimos dias puseram fim a uma breve pausa nos combates, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, interrompeu abruptamente uma campanha de bombardeios de duas semanas e o Irã pareceu seguir o mesmo caminho.

A Arábia Saudita informou na terça-feira que suas defesas aéreas destruíram vários drones que tinham como alvo instalações petrolíferas na Província Oriental do reino. Milícias apoiadas pelo Irã lançaram os ataques a partir de território iraquiano, disse o porta-voz do Ministério da Defesa saudita, Turki al-Maliki.

Mais tarde, o Comando Central dos EUA e o Ministério da Defesa da Arábia Saudita informaram que os dois países atacaram vários locais no leste do Iraque que, segundo eles, haviam sido usados pelo Irã para comandar ataques com drones.

As Forças de Mobilização Popular do Iraque afirmaram que várias de suas sedes oficiais em diferentes partes do Iraque foram atacadas na quarta-feira pelo que descreveram como forças dos EUA e da Arábia Saudita. O grupo disse que relatórios preliminares indicavam que várias pessoas foram mortas e outras ficaram feridas, além de danos a vários de seus prédios e instalações.

Em entrevista à TV estatal do Irã, uma autoridade da Defesa iraniana negou veementemente qualquer conexão entre projéteis disparados de outros países contra alvos sauditas.

O oficial militar não identificado, citado pela emissora estatal IRIB, disse que atribuir ao Irã os ataques contra interesses dos EUA na região era um “grande erro de cálculo”.

OMÃ PROPÕE GESTÃO CONJUNTA DO ESTREITO DE HORMUZ

Em um esforço para resolver o conflito em torno do Estreito de Ormuz, Omã apresentou ao Irã um plano apoiado pelos países do Golfo para administrar a via navegável, que incluiria a cobrança de taxas voluntárias dos navios, informaram à Reuters nesta terça-feira uma fonte do Golfo e um diplomata ocidental.

De acordo com a proposta de Omã, o Irã não exerceria controle exclusivo e as taxas seriam voluntárias, informaram à Reuters a fonte do Golfo e o diplomata ocidental a par do assunto.

O sistema seria análogo ao em vigor no Estreito de Malaca, na Ásia, onde a Indonésia, a Malásia e Cingapura solicitam que os navios paguem contribuições voluntárias para financiar a navegação, a proteção ambiental e as operações de busca e resgate.

O Irã fechou efetivamente o estreito depois que os EUA e Israel atacaram o país em 28 de fevereiro. Um acordo firmado no mês passado entre os EUA e o Irã reabriu parcialmente o estreito, com negociações futuras planejadas para resolver questões mais amplas, incluindo o programa nuclear iraniano. Mas o acordo fracassou no início de julho, depois que o Irã disparou contra embarcações que utilizavam um canal de navegação que o país não reconhece.

(Reportagem de Timour Azhari, Parisa Hafezi, Doina Chiacu, Ahmed Tolba, Kanishka Singh e das agências da Reuters)

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